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Adoção: pais e filhos se escolhem

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Você já assistiu ao desenho “A Vaca e o Frango”, no Cartoon? Para quem ainda não conhece, a Vaca é irmã do Frango, que são filhos de um casal de humanos. É possível conferir no desenho animado uma família adotiva.

Vaca e Frango são irmãos e juntos enfrentam situações engraçadas, brigam, brincam e vivem aventuras como qualquer dupla de irmãos biológicos.

Entender um pouquinho mais sobre a adoção, pode ajudar a turminha a quebrar vários preconceitos sobre o assunto. A adoção não é um ato de caridade, e sim de amor. Pais que por algum motivo não tiveram a oportunidade de ter um bebê ou aqueles que têm vontade de ter mais um filho podem adotar. Agora, até mesmo pessoas solteiras podem fazer uma adoção.

Infelizmente, ainda existem muitas crianças que esperam uma família, às vezes, são dois, três ou até quatro irmãozinhos, que estão sozinhos por falecimento dos pais, desaparecimento ou por terem sido afastados dos pais biológicos por motivos judiciais.

“A adoção tardia é a mais difícil”, comenta a psicóloga especialista em psicologia clínica Maria José Barbosa De Gobbi. Ela diz que algumas pessoas ainda não entendem direito o que é a adoção.

“Alguns querem escolher as características da criança, que ela se pareça com a família. Eu respeito a opinião dos pais que querem recém-nascido, mas há muitas crianças para a adoção.”

O “nascimento”

Quando uma família decide ter um filho adotivo, começa o processo de “gestação”. Os interessados fazem um cadastro e se preparam para receber uma criança. “Isso pode demorar até dois anos”, explica a psicóloga Maria José.

É um período de espera, misturada com ansiedade e desejo de receber a criança, que pode chegar a qualquer momento.

“E quando chega a criança, é o dia de seu ‘nascimento’ naquela família.” Alegria, insegurança, emoção e muita festa. Ana Keila Camargo Goulart Toledo, 40 anos, é mãe adotiva de três crianças, que hoje têm 5, 10 e 12 anos.

“A gente não precisa ser mãe biológica. Quando meu primeiro filho chegou, recém-nascido, eu tinha todos os sintomas de quem tinha acabado de ter um bebê. Fiquei inchada, olheiras, foi muito legal”, conta Ana.

“O que importa é o amor e a sinceridade”, completa ela, que também é tesoureira do grupo Amigos da Vitória, presidido por Maria José De Gobbi.

Minha mãe de barriga

A primeira orientação aos pais adotivos é não mentir à criança com relação à sua origem. “Toda criança teve uma barriga e ela deve saber”, explica a psicóloga.

Os pais usam o termo “filho do coração” para indicar que, apesar de não ser filho biológico, possui a mesma relação de amor e afeto.

Ana Keila conta que sempre falou aos filhos que eles seriam filhos do coração e que tiveram uma barriga antes. “A mamãe não podia ter um bebê e pediu uma barriga emprestada. Assim nasceu cada um de meus filhos, tenho certeza que eles nos escolheram.”

A mãe Silvia Regina de Oliveira, 33 anos, adotou seu filho Diego,13 anos, logo após seu casamento, aos 19 anos de idade. “Ele era um bebê de nove meses e desde aquele momento eu comecei a dizer ao Diego: filho do coração, barriga não!”, conta.

O filho sempre soube sua origem e nunca teve problemas por isso. Já Ana Keila relata que seus filhos já enfrentaram situações de preconceito.

“Algumas crianças são preconceituosas. Já chegaram a dizer que meu filho não poderia participar de brincadeira porque era adotivo”, relata.

Ana enfatiza a importância do acompanhamento psicológico da família, assim fica mais fácil lidar com situações desse tipo. “Um dia ele disse que iria embora de casa, queria ir atrás do outro pai. Meu marido disse que tudo bem e o levou para a rodoviária. Aí bateu a realidade e isso nunca mais aconteceu”, lembra a mãe.

Ela sabe que um dia os filhos podem ter interesse em conhecer os pais biológicos e não se opõe. “Eles sabem que somos uma família e se um dia sentirem vontade, vamos ajudar. Talvez eles até possam colaborar com seus pais biológicos no futuro.”

Ana relata que a sua filha mais velha teve interesse em visitar a cidade onde nasceu, o que lhe foi permitido acompanhada dos avós. “Ela foi, achou tudo normal e disse que as pessoas eram iguais as daqui, só que com sotaque diferente”, conta Ana.

Saber quem é a mãe da barriga talvez seja uma curiosidade que eventualmente passe pela mente dos filhos adotivos e isso é bastante natural. A psicóloga Maria José explica que os pais adotivos não devem “pintar” a mãe biológica como a “mãe bruxa”.

“A mãe biológica também ofereceu seu carinho durante o período de gestação e por algum motivo não pôde ficar com seu filho. A criança deve saber que nasceu de uma barriga”, orienta Maria José.

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