Bairros

Assenag conclui: ponte difere do projeto

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O projeto de construção da ponte Ayrton Senna, que liga o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1 e está interditada desde o dia 7 de janeiro, não foi respeitado fielmente pela construtora Tofer Engenharia. A constatação é da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, que concluiu ontem um parecer técnico.

De acordo com o laudo da entidade, existem divergências entre o projeto original e a execução da obra na distância entre os blocos da ponte e no posicionamento das estacas (veja quadro ao lado).

“A medida do bloco está diferente em até 40 centímetros de comprimento. Fizemos os cálculos e chegamos a esta conclusão de maneira serena, sem paixão, para que não haja precipitação. Tiramos medidas da parte externa, ou seja, do que está sobre a terra”, explica o especialista em cálculo estrutural em concreto e aço, Assahi Kawaguti.

De acordo com ele, a desigualdade pode ser constatada por qualquer pessoa que disponha de um metro e do projeto. “Encontramos os blocos com rachaduras grandes e abertura de dois ou três centímetros, que dá para colocar a mão. Porém, as conseqüências dessas diferenças não foram estudadas. Essa pesquisa vai ficar para uma segunda etapa”, esclarece.

Segundo Kawaguti, ainda não é possível afirmar que as alterações foram as responsáveis pelos problemas da obra ou o quanto colaboraram para a interdição da ponte. Para se chegar a essa conclusão, seria necessário um outro estudo, mais detalhado.

Segunda fase

“Essa segunda fase do trabalho só será realizada após a conclusão do laudo elaborado pelo perito indicado pela Justiça, por essa razão não tem prazo para ser iniciada. Não queremos afrontar ninguém. Não sabemos se o erro foi da construtora, se foi problema de interpretação ou de referência. Vamos pedir a caderneta da obra, onde são registradas todas as ocorrências durante a construção, para levantar”, ressalta.

O laudo pericial da ponte foi solicitado pela Prefeitura de Bauru, que ingressou na Justiça com medida cautelar de produção antecipada de provas. Na ação, o município pede que sejam apontados os problemas estruturais da ponte.

Na sexta-feira passada, o perito Denilson Douglas Bernardo realizou medições da estrutura da ponte na presença de representantes da administração municipal e da empresa Tofer Engenharia. Ele tem 30 dias para concluir a análise, porém pode solicitar mais um mês ao juiz Horácio Furquim Guanaes, caso precise de um prazo maior para concluir a perícia.

Se o parecer dele coincidir com o da Assenag, Bernardo indicará também que o posicionamento das estacas deveria estar mais voltado para o centro.

O calculista estrutural Odil Gil explica que as estacas foram instaladas parte na vertical e parte com inclinação de 20% (veja quadro). “Nessa semana, o laudo confeccionado pela Assenag será encaminhado ao Ministério Público (MP), prefeitura e Câmara Municipal”, conclui.

O estudo da entidade levou uma semana para ser concluído e foi realizado a quatro mãos. Além de Gil e Kawaguti, participaram do levantamento o analista estrutural Tatsuo Kajino e o presidente da diretoria executiva da Assenag, Luiz Carlos da Silva Mendes

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As partes

O diretor da Tofer Engenharia, empresa responsável pela construção da ponte Ayrton Senna, Onei Torquato Ferreira, critica a iniciativa da Assenag e garante que a realização da obra seguiu à risca o projeto.

“Pequenas variações existiram na execução da ponte, mas é preciso observar a concepção do projeto. Essa ponderação é o perito judicial quem vai fazer. Acho precipitada e tendenciosa qualquer manifestação anterior à da Justiça”, ressalta.

Para ele, o laudo da Assenag pode tumultuar o processo, o que seria desrespeitoso. “Trata-se uma análise precipitada e simplista. Para elaborar um estudo sério é preciso analisar o tipo, a forma, as cotas e a apresentação do projeto. Também contratamos uma empresa particular para indicar anomalias”, informa.

O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, também espera da Justiça a identificação dos problemas. “Não tenho como comentar o parecer da Assenag porque não o conheço, mas a prefeitura, por ser um órgão público, tem obrigação de conduzir o processo dentro dos preceitos da lei”, justifica.

Na opinião dele, se a administração municipal não precisasse se pautar pela lei, talvez o projeto de recuperação da ponte estivesse concluído. Porém, ele só pode ser iniciado após análise do perito.

“Fizemos quatro perguntas na ação judicial. A primeira delas é se existe conformação entre o projeto e a obra. Se a resposta for negativa, perguntamos se é possível indicar qual é a diferença. Caso tenha havido uma desigualdade, questionamos o quanto ela contribuiu para aumentar os esforços”, ressalta.

Para completar, o secretário ainda questiona o perito judicial se ele tem condição de indicar as causas que levaram à interdição da Ayrton Senna.

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