Guerra no Iraque 2003

Grupos da Força Delta 'caçarão' Saddam


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Bagdá - Pequenos grupos de soldados americanos da Força Delta, equipados com armas de alta tecnologia, óculos que possibilitam visão noturna e fotos de seus alvos, desembarcarão nas imediações de Bagdá o mais rápido possível para levar adiante a missão mais complicada da guerra: capturar ou matar Saddam Hussein. Segundo o jornal “USA Today”, a força de elite de 360 homens (tão secreta que o governo americano insiste em negar sua existência) recebeu a incumbência de caçar e, se necessário, matar Saddam, seus filhos Qusai e Udai e uma dúzia de militares e membros da cúpula do regime. Os comandos, que se encontram no Kuwait, na Jordânia, na Arábia Saudita e no norte do Iraque, têm sido treinados para essa missão pela CIA há vários anos e pretendem completá-la em “apenas alguns dias”. Mas não será fácil achar o líder iraquiano em seus abrigos e túneis subterrâneos. Acredita-se que Saddam tenha pelo menos três sósias, nunca durma duas noites seguidas no mesmo local e seja protegido por cerca de 30 mil seguranças de elite. Durante a Guerra do Golfo (1991), aviões americanos bombardearam cerca de 260 alvos, mas não conseguiram pegá-lo. Para atingir o objetivo dessa vez, os EUA estão monitorando o uso de telefones celulares ou por satélite e estão fotografando e vigiando os palácios presidenciais na capital e na cidade natal do ditador, Tikrit. Esse monitoramento é feito por satélites, aviões-espiões e por forças especiais que já estão atuando no país há algumas semanas. Agentes jordanianos estariam trabalhando junto com os EUA, apesar da oposição pública da Jordânia à guerra. Os EUA também estão tentando obter a colaboração de militares e civis iraquianos que possuam alguma informação que leve à captura de Saddam e de seu círculo mais íntimo. Os comandos da Força Delta serão transportados por helicóptero e, assim que chegarem a locais determinados na região de Bagdá, utilizarão computadores para interromper as redes de comunicação e de energia sem danificá-las de forma irreversível. Em seguida, coordenarão suas ações com bombardeios aéreos de possíveis esconderijos de Saddam. O objetivo é minimizar as baixas entre a população civil e evitar danificar, sem necessidade, a infra-estrutura da capital. Se Saddam tentar fugir, seu comboio será bombardeado pelos comandos especiais. Caso se esconda em zonas residenciais, as forças de elite realizarão buscas casa a casa. O mais provável é que o Saddam resista em Bagdá. Cerca de 10 mil guardas republicanos (os mais fiéis ao regime) teriam sido deslocados de outras regiões para a capital. “Saddam está se preparando para esse enfrentamento final há anos”, disse Wafiq al Sammarai, ex-chefe de inteligência iraquiano (que desertou em 1994). O maior temor é que, ao se ver acuado, Saddam use armas de destruição em massa contra as forças invasoras. Grupos da Força Delta também foram escalados para localizar e assumir o controle de eventuais arsenais de armas químicas, biológicas ou nucleares. Os EUA enviaram à região especialistas em armas não-convencionais e em desarmamento para ajudar a neutralizar os arsenais iraquianos. Entre eles, ex-inspetores de armas que já trabalharam no próprio Iraque. Entre 130 e 1.400 locais serão vasculhados. Centenas de cientistas serão buscados e interrogados. Para os EUA, localizar armas é fundamental não apenas para impedir que venham a ser usadas contra suas forças, mas para provar ao mundo que a intervenção no Iraque era necessária. (AF)

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