Guerra no Iraque 2003

Tropas avançam em meio à tempestade de areia


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Bagdá - Colunas de soldados norte-americanos e britânicos, tanques e caminhões avançaram ontem sobre a zona desmilitarizada entre o Kuwait e o Iraque horas antes do fim do prazo dado pelo presidente George W. Bush para que o ditador Saddam Hussein e seus filhos deixassem o país.

Cerca de 20 mil homens, a maioria com máscaras antigás, e 10 mil tanques se movimentaram na operação - realizada em meio a uma tempestade de areia que limitou a visibilidade a uma distância de menos de 2 quilômetros .

O objetivo foi montar postos de observação em uma faixa de 15 quilômetros entre os dois países. Na costa do Kuwait, marinheiros foram liberados para dormir mais cedo a fim de se prepararem para uma eventual ofensiva na madrugada. Houve também novos bombardeios de caças americanos contra alvos do Iraque dentro da zona de exclusão aérea ao Sul do país. Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, disse pela manhã que “os americanos devem estar preparados para a perda de vidas’”.

“Esperamos que o conflito seja o mais preciso e breve possível, mas ele pode ter uma duração maior. Nós não sabemos”, disse Fleischer.

Depois de se reunir com o vice-presidente, Dick Cheney, com os secretários da Defesa, Donald Rumsfeld, e de Estado, Colin Powell, e com a assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, Bush enviou duas mensagens ao Congresso explicando os motivos da guerra contra o Iraque. Nas cartas, o presidente disse que esforços diplomáticos “falharam” em proteger os EUA. Ele voltou a relacionar Saddam Hussein à rede terrorista Al-Qaeda, de Ossama Bin Laden, e disse que a invasão do Iraque “levará à identificação” de outros terroristas que atacaram o país em setembro de 2001, causando cerca de 3 mil mortes. Bush também telefonou ontem para o premiê britânico, Tony Blair, seu maior aliado. A Casa Branca afirma ter o apoio de 45 países na guerra, mas só 33, até ontem, expressaram adesão publicamente.

Em Washington, era visível ontem o reforço no policiamento e nas operações de vigilância em vários pontos da cidade. Várias ruas do centro foram fechadas, incluindo todas as próximas da Casa Branca, o que vem causando um certo caos no quase sempre tranqüilo trânsito da cidade.

Policiais armados circularam por estações do metrô, praças e shoppings centers, e buscas em automóveis próximos aos dois principais aeroportos da capital foram intensificadas.

As medidas de segurança ganharam força depois que os EUA elevaram na segunda-feira de “amarelo” (médio) para “laranja” (alto) o nível de risco de ataques terroristas. Ontem não havia indicação de que o último grau da escala, “vermelho’’, será usado nos próximos dias. A atual operação de segurança interna foi batizada como “Escudo da Liberdade”.

Na TV, alguns canais e programas jornalísticos apresentaram durante o dia relógios marcando a contagem regressiva para as 20h locais - o prazo do ultimato dado por Bush a Saddam.

Nos últimos dias, a guerra é o assunto predominante na cidade. Cerca de 240 mil soldados norte-americanos e 40 mil britânicos estão mobilizados para atacar o Iraque sob o comando do general Tommy Franks, que está baseado com seus comandantes no emirado de Qatar, a pouco mais de mil quilômetros de Bagdá.

Nos últimos dias, os americanos jogaram mais de 2 milhões de folhetos sobre o Iraque na esperança de que as tropas de Saddam desistam de lutar e se rendam. O país anunciou ontem o que seriam as primeiras rendições, de até 17 militares, no norte do Kuwait. (AF)

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