Geral

Adolescentes grávidas chegam a 30%

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Um estudo da Secretaria Municipal de Saúde aponta que 30,3% das gestantes que procuram atendimento em unidades públicas têm até 20 anos.

O número se mantém praticamente estável nos últimos três anos, o que sugere que nem mesmo a divulgação de campanhas sobre métodos anticoncepcionais parece surtir efeito sobre as adolescentes.

“Recebi orientação em casa, mas eu e meu namorado nunca gostamos de usar preservativo”, conta uma adolescente de 15 anos que prefere não se identificar. Ela está no 6º mês de gestação e ficou noiva quando soube da gravidez. A adolescente, que deixou a escola este ano, mas pretende retomar os estudos quando o bebê nascer, conta que a família recebeu a notícia com naturalidade.

Histórias como a dela são comuns na unidade de saúde do Parque Jaraguá, bairro da cidade que registra o maior percentual de gestantes com até 20 anos, 41,7%.

“No começo, minha família ficou espantada, mas depois deu o maior apoio”, afirma uma adolescente de 17 anos. Grávida de 5 meses, ela conta que está morando com o namorado, que trabalha como mototaxista, na casa da sogra. A primeira mudança na vida dela já aconteceu. “Como mudei de bairro, precisei parar de estudar, mas quero voltar no próximo ano.”

A adolescente diz ainda que o namorado usava preservativo e que a gravidez não foi planejada.

Uma adolescente de 16 anos morava há três meses com o namorado quando ficou grávida. Embora ela também não tenha planejado a gravidez, a notícia já era esperada. “Quando passamos a viver juntos, deixamos de usar preservativo”. Ela está no 7º mês de gestação e voltou para a casa da mãe há quatro meses, quando o namorado foi preso por furto. Ele aguarda o julgamento na cadeia.

Mãe furiosa

O caso de uma adolescente de 18 anos também é curioso. A reação do namorado quando soube da gravidez foi a melhor possível. “Ele adorou, ficou eufórico.”

Já em casa, a notícia não foi tão bem recebida. “Foi terrível. Minha mãe ficou furiosa, mas aí eu começava a chorar e ela acabou ficando do meu lado.”

A mãe dela, Márcia Aparecida da Silva Machado, confirma que não reagiu bem. “Foi um choque, mas tive que aceitar e vou ajudar no que eu puder.”

Márcia conta que sabe bem o que a filha está passando. “Eu também casei grávida quando tinha 18 anos. No meu caso, a primeira reação do meu pai foi obrigar meu namorado a me pedir em casamento. Deu certo, pois estamos juntos até hoje.”

____________________

Surpresa

O ginecologista Luiz Hamamura, que presta atendimento na unidade de saúde do Parque Jaraguá, diz que fica surpreso com a reação das adolescentes ao saber da gravidez. “A impressão é que elas ficam muito felizes. Algumas chegam a reclamar que querem engravidar e não conseguem. Acho que elas encaram o filho como uma maneira de segurar o namorado.”

O médico, que atende há 30 anos, acredita que o poder aquisitivo interfere na orientação dada às adolescentes. “Noto que quanto mais baixa é a classe social, menos informação elas recebem.”

O ginecologista Luiz Carlos Regina Cardoso, há 33 anos na profissão, concorda com o colega. “As pacientes que são de uma classe social mais alta aceitam melhor o uso do anticoncepcional.”

O número de atendimentos a adolescentes grávidas no consultório particular também é bem menor, segundo o médico. “Do total de grávidas, as jovens representam cerca de 10%”, diz Cardoso.

Outra diferença percebida pelo ginecologista é quanto à participação familiar. “As pacientes que eu atendo na rede pública normalmente estão sozinhas. É diferente da situação que encontro no meu consultório, quando as adolescentes comparecem, na maioria, acompanhadas pelas mães.”

Os dois ginecologistas lembram que quando começaram a trabalhar a situação era bem diferente. “Naquela época, a mãe solteira era malvista”, conta Hamamura.

“Era muito raro encontrar moças que casavam grávidas”, diz Cardoso. Para ele, não foi só a mulher que mudou. “Hoje a cabeça dos homens também é outra. Eles aceitam com mais naturalidade as parceiras que já tenham filhos.”

Comentários

Comentários