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Longe da guerra, bauruenses enfrentam tensão psicológica

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar da distância da guerra, os ataques americanos ao Iraque está preocupando os bauruenses. A maioria das pessoas ouvidas pelo JC ontem no Calçadão da Batista de Carvalho acha que o Brasil sofrerá economicamente por causa do conflito e algumas não descartam a possibilidade do País envolver-se na guerra, um sinal que estão sob tensão psicológica, explica a doutora em ciências biomédicas e neurociências Maria de Lourdes Merighi Tabaquin.

Ela ressalta que situações de guerra deixam as pessoas mais vulneráveis. “Ocorre uma projeção do medo dependendo da história de vida de cada um. Em algumas pessoas, apesar de não surgir conscientemente, o medo pode manifestar-se de outras formas. A pessoa pode ter medo de levantar no meio da noite para beber um copo de água ou ter dor de cabeça mais freqüente, por exemplo”, diz ela, que é coordenadora do curso de psicologia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Mas há casos em que o medo manifesta-se de forma mais clara. Uma das pessoas ouvidas pelo JC ontem revelou que pretende fazer reserva de comida, com medo que a guerra chegue a Bauru. â€œÉ um exemplo de atitude exacerbada. A guerra é uma ameaça para todos nós, o que estimula nossos mecanismos de defesa, de luta pela sobrevivência. Mas o grau que processamos isso é diferente”, afirma.

Maria de Lourdes lembra que o brasileiro não está acostumado a situações de guerra. “Nós não temos história de guerra próxima, apesar de vivenciarmos altos índices de violência. Mas como são casos setorizados, essa violência é tida como distante, a não ser quando atinge alguém querido ou um ídolo. Com a guerra é diferente. Estamos assistindo de camarote as bombas caírem e sentindo-se impotentes diante disso”, frisa.

Doutora em neurociência, Maria de Lourdes ressalta que o medo provocado pela guerra é prejudicial e pode inclusive causar redução no rendimento profissional. “O medo paralisa a atividade cerebral, promove bloqueios. Quanto mais você estiver isento de pressão, mais livre será sua expressão de pensamento. A partir do momento que uma coisa está prestes a acontecer ou já acontecendo, mas ainda não está afetando a pessoa, ela entra em estado de alerta”, diz.

A orientação de Maria de Lourdes é para que as pessoas acompanhem a guerra, mas não deixem que ela influencie negativamente sua vida. “Devemos buscar o equilíbrio, criar estratégias de defesa para entender o que está ocorrendo sem aumentar ainda mais o problema”, afirma.

“Eu estou preocupada porque todo mundo está falando que tem que guardar alimentos. Acho que temos que nos prevenir. Eu vou começar a guardar porque o Brasil tem um vínculo muito grande com os Estados Unidos e pode entrar na guerra”, Maria da Graça dos Santos, 26 anos, estudante.

“Eu estou bastante preocupada com o pessoal que está lá no Iraque e com a nossa situação aqui não só por causa de questões econômicas. Eu tenho medo de bactérias, de armas químicas”, Maria de Lourdes Aro, 46 anos, dona de casa.

“Estou triste com essa guerra, mas de resto acho que não afeta a nossa vida aqui no Brasil”, Sebastião Paulo Bento Leite, 40 anos, auxiliar de jardinagem.

“A gente lamenta essa guerra, mais uma que acontece no mundo e por ser por interesse econômico. Mas acho que o Brasil não será muito afetado não”, Luiz Roberto Bottacin, 58 anos, eletricitário aposentado.

“Eu estou chocado e muito preocupado com a guerra, de quererem bombardear a gente também”, Raul Magaini, 20 anos, artista.

“A gente fica preocupada com as pessoas inocentes que estão lá e vão morrer. Aqui, nós podemos ser afetados economicamente”, Daniela Cristina Martins, 30 anos, auxiliar de cobrança.

“Estou preocupado com os inocentes que estão pagando por isso aí. Eu acho que essa guerra é resultado de inconseqüência do poder. Eu acho que o Bush deveria repensar e parar com a guerra”, Milton da Silva Moraes, 38 anos, comerciante.

“Fiquei muito preocupada e acho que vai atingir todos nós. A guerra é lá, mas nós vamos pagar por isso”, Carmina Alves da Silva, 32 anos, auxiliar de produção.

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