Guerra no Iraque 2003

Guerra psicológica é arma importante

Agência Reuters
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Washington - As forças armadas dos Estados Unidos deram início à guerra contra o Iraque com uma barragem de armas pesadas, mas a guerra psicológica é uma ferramenta essencial no arsenal norte-americano para derrubar o presidente iraquiano Saddam Hussein.

Conhecidas como “psyops” no jargão militar, as operações psicológicas são umas das mais antigas formas de guerra, e o Pentágono espera que elas encurtem a guerra contra o Iraque, poupando milhares de vidas, civis e militares. “Creio que as operações de guerra psicológica que temos em curso agora e que promovemos agressivamente nos últimos meses serão decisivas para encurtar a guerra”, disse o contra-almirante reformado Stephen Baker.

Em sua primeira entrevista coletiva depois do lançamento do ataque norte-americano contra o Iraque, ontem, o secretário da Defesa norte-americano Donald Rumsfeld dedicou vasta porção de sua fala a tentar convencer as Forças Armadas iraquianas de que deveriam seguir as instruções norte-americanas para se render.

A mensagem essencial dos Estados Unidos, disse Baker, é a de persuadir os iraquianos de que é melhor apoiar as forças norte-americanas do que ajudar a manter Saddam no poder. “Tudo visa a tornar mais frágil o castelo de cartas em que Saddam se apóia”, defendeu Baker, assessor sênior do grupo de pesquisa Center for Defense Information, em Washington, e comandante de uma divisão de porta-aviões durante a primeira guerra do Golfo Pérsico.

Nos dias anteriores ao início da guerra, as Forças Armadas norte-americanas intensificaram sua campanha para convencer os iraquianos, que inclui transmissões de rádio e o lançamento de milhões de panfletos instando que os soldados se rendam e que os civis não interfiram.

Outra tática envolve o envio de inúmeros e-mails e mensagens de fax a líderes e cidadãos comuns iraquianos, instando-os a ajudar os soldados norte-americanos em caso de guerra, e prometendo que seriam recompensados por isso.

James Carafano, pesquisador sênior do Center for Strategic and Budgetary Assessments, em Washington, avalia que o verdadeiro valor estaria em levar essa mensagem aos civis, que muitas vezes morrem em números maiores do que os militares, em guerras.

“A campanha pode salvar as vidas de muitos civis”, disse Carafano, tenente-coronel reformado do Exército norte-americano. Ele disse que as operações psicológicas eram agora muito mais sofisticadas do que na guerra de 1991, apontando que era difícil apontar a diferença entre uma transmissão de TV manipulada pelos Estados Unidos e os programas de rádio e TV iraquianos reais.

“Eles usam a mesma música e empregam a linguagem do mesmo jeito. Se você ligar o rádio sem saber, acreditará estar ouvindo o programa de sempre”, disse Carafano. Uma grande ferramenta para convencer os iraquianos seria imagens de TV, preferivelmente da Al-Jazeera, estação árabe sediada no Catar, mostrando tropas norte-americanas entrando na cidade de Basra, sul do Iraque, e sendo recebidas “alegremente” pelos iraquianos.

“A mensagem seria que as pessoas tinham gostado de ser libertadas, e mostraria a alegria que podemos levar aos iraquianos. Isso realmente afetaria toda a população de Bagdá”, sugeriu Baker.

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