Guerra no Iraque 2003

Guerra do Golfo Pérsico foi a primeira transmitida pela TV

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Na madrugada do dia 16 de janeiro de 1991 começava a primeira guerra televisionada da história. A Guerra do Golfo levou a extremos a idéia de que informação pode ter um papel tão decisivo quanto a estratégia militar.

O ataque foi uma reação à invasão do Kuwait, em 2 de agosto de 1990, por Saddam Hussein. A invasão foi motivada por acusações do Iraque de que o Kuwait teria roubado US$ 2,4 bi em petróleo do território iraquiano durante a guerra contra o Irã (1980-1988) e lhe causado perdas de US$ 14 bi por exportar óleo além da cota estabelecida pela Opep.

Bagdá reivindicava também parte do território kuwaitiano - as ilhas de Warba e Bubian e o poço petrolífero de Rumailá-sul, na fronteira entre os dois países - e o perdão de uma dívida de US$ 10 bilhões.

O Conselho de Segurança da ONU exigiu, no mesmo dia da invasão, a retirada imediata das tropas de Saddam e, quatro dias mais tarde, impôs um embargo militar e financeiro a Bagdá. Saddam condicionou a retirada de suas forças à retirada das tropas israelenses dos territórios palestinos ocupados, condição não aceita pelos Estados Unidos.

Em 29 de novembro de 1990, a ONU autorizou uma ação militar caso as tropas iraquianas não deixassem o Kuwait até 15 de janeiro. O Congresso norte-americano autorizou, em 12 de janeiro, o presidente George Bush (1989-1992) a fazer uso da força.

Em 13 de janeiro, em Bagdá, o secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuéllar, tentou que Hussein aceitasse as determinações do Conselho de Segurança e não obteve sucesso. No dia seguinte, o Parlamento iraquiano aprovou a guerra para manter o Kuwait.

Na madrugada de 16 de janeiro, após o fim do prazo determinado pela ONU, começou a operação “Tempestade no Deserto”, como foi chamada a ação militar das tropas aliadas, uma aliança de 32 países liderada pelos EUA.

O bombardeio ao prédio que abrigava o centro de telecomunicações do Iraque por um caça F-117 e os ataques de mísseis Tomahawk contra o palácio de Saddam Hussein e o Ministério da Defesa iraquiano, lançados de navios de guerra norte-americanos fundeados no Golfo Pérsico, marcaram o início da operação.

Após os ataques, Saddam proclamou o início daquela seria “a mãe de todas as batalhas” e ordenou o lançamento de mísseis Scuds, de fabricação soviética, contra a Arábia Saudita e Israel.

Os ataques ao Iraque pelos aliados e o bombardeio iraquiano a Israel e Arábia Saudita foram transmitidos ao vivo pela rede de televisão norte-americana CNN durante toda a guerra, tornando os jornalistas Peter Arnett e Bernard Shaw tão famosos quanto as imagens de mísseis que lembravam a tela de um videogame.

A estratégia dos americanos, baseada em “ataques cirúrgicos” - ações que visavam alvos militares e utilizavam bombas e mísseis de alta precisão -, foi elaborada pelo general Norman Schwarzkopf e comandada pelo general Colin Powell, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

Após 100 horas de combate, foi declarado o cessar-fogo em 27 de fevereiro. O Kuwait foi libertado, mas Saddam permaneceu no poder e enfrentou uma revolta da população de origem curda e xiita, apoiada pelo governo norte-americano, que foi expulsa do território iraquiano, indo para a Turquia e o Irã.

O embargo imposto pela ONU continua vigorando. Saddam mandou incendiar centenas de poços de petróleo no Kuwait, provocando uma catástrofe ecológica sem precedentes e cujo fogo demorou cerca de oito meses para ser apagado.

O saldo de vítimas em combate nunca teve números definitivos. Oficialmente, foram 148 norte-americanos mortos em combate e 121 em acidentes e 458 feridos. Analistas estimaram o número de iraquianos mortos entre 100 mil e 150 mil.

Um estudo financiado pelo Greenpeace elevou o número de vítimas iraquianas para 205 mil. A Guerra do Golfo foi a chance de os americanos usarem todo o material bélico de alta tecnologia que desenvolveram durante a década de 80, quando houve um investimento maciço no setor devido às políticas dos presidentes Ronald Reagan e George Bush.

Comentários

Comentários