Regional

Brotas promove ato contra a violência

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Brotas - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsede de Brotas, vai promover hoje uma manifestação contra a violência na cidade.

O evento, intitulado “Marcha pela paz e contra a violência local”, terá início às 17h na praça Benedito Calixto. A passeata percorrerá a cidade até o Centro Cultural, onde serão realizadas palestras e debates sobre o tema.

Segundo o presidente da OAB de Brotas, João Gervaso Cassaro, o objetivo é mobilizar a sociedade para encontrar soluções contra a violência, que hoje vem atingindo grande parte das comunidades. “Não é só em Brotas, a violência está crescendo em nível mundial”, aponta.

Gervaso afirma que o último crime violento registrado na cidade, a morte do ex-prefeito Décio Aldo Bagnariol, 80 anos, chocou a população, motivando a realização de uma manifestação como a de hoje.

Para ele, o aumento da violência local pode ser atribuído ao próprio crescimento da cidade, estimulado pelo turismo. “Nossa cidade era calma, pacata e, de repente, começaram a acontecer coisas que nunca aconteciam. O progresso e o crescimento nos cobram ônus”, avalia.

Segundo o presidente da OAB, já havia um certo descontentamento por parte da população com relação à violência. Entretanto, o latrocínio que vitimou o ex-prefeito teria culminado como a gota d’água. “Ele foi assassinado friamente por uma quantia insignificante diante do valor da vida humana. O crime chocou a cidade”, afirma.

A manifestação de hoje, idealizada pela OAB, conta com o apoio dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, Ministério Público, polícias Civil e Militar, além de organizações civis, religiosas, sindicatos e empresas. â€œÉ um movimento coletivo que abrange todos os segmentos sociais”, afirma.

Gervaso espera uma participação expressiva da população no evento - o primeiro dessa natureza realizado em Brotas.

Prevenção

Segundo o prefeito Orlando Pereira Barreto (PSDB), Brotas não apresenta números de violência preocupante, entretanto é uma característica da comunidade local trabalhar com iniciativas de prevenção e conscientização. “Antes que Brotas chegue a isso, nós estamos trabalhando”, assegura.

Ele afirma que, diante dos casos de violência registrados em nível nacional, a população está se mobilizando para garantir a permanência da paz. “Nós queremos evitar que a sociedade local descambe para o caos que existe nos grandes centros. Aqui nós queremos qualidade de vida”, defende.

Barreto afirma ainda que o crime do ex-prefeito foi provocado por adolescentes da própria cidade, que estavam sob o efeito do álcool. Diante do fato, segundo ele, o poder público está tomando medidas para combater a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade. “Nós estamos fazendo uma lei severa para combater isso. Eu encaminhei o projeto de lei para a Câmara Muncipal ontem”, revela.

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Latrocínio

O ex-prefeito de Brotas foi encontrado morto, no último dia 2 de março dentro do banheiro de sua própria casa, no Centro da cidade, com sinais de asfixia e espancamento. Ele foi vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte).

Dois adolescentes acusados pelo crime foram condenados e recolhidos à Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).

O ex-prefeito morava em São Paulo com a família, mas vinha a Brotas freqüentemente, pois possuía casa e fazenda na cidade.

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Para delegado, crime é fato isolado

Segundo o delegado titular de Brotas, Pedro José da Silva, a morte do ex-prefeito Décio Aldo Bagnariol abalou muito a população. Entretanto, a cidade continua sendo um local pacífico e o crime em questão deve ser considerado um fato isolado.

“Crimes graves como esse não são comuns. A cidade têm ocorrências, mas não é uma situação alarmante. Esse não é um local violento, mas o pouco que ocorre abala, porque a cidade não tem essa natureza.”

O delegado afirma que os registros mais freqüentes da polícia local são relacionados a furtos. Esse ano, segundo ele, além do latrocínio envolvendo o ex-prefeito, o caso mais grave foi de um homicídio.

Para o delegado, o turismo local não tem provocado um aumento de violência. “Apenas interfere na natureza de uma cidade pequena que é o sossego”, avalia.

Silva afirma que o objetivo da manifestação de hoje é evitar qualquer aumento da criminalidade local, preservando a qualidade de vida dos moradores.

O delegado acredita ainda que a preocupação da comunidade também têm sido estimulada pela onda de violência no País. â€œÉ uma somatória. Se você somar a morte do juiz de Presidente Prudente, as pessoas vendo os fatos violentos no Rio, começam a se assustar. Eu acredito que é o todo.”

O delegado, que assumiu suas funções em agosto de 2001, afirma que o latrocínio envolvendo o ex-prefeito foi o único registrado na cidade nesse período. No entanto, Silva não soube precisar se houve um aumento nos índices de violência nos últimos anos. “Se houve, foi pequeno. Mas independente de números, nós temos que trabalhar para que não ocorra”, assegura.

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