Articulistas

O drama da água no Terceiro Mundo


| Tempo de leitura: 3 min

O Dia Mundial da Água, comemorado todos os anos no dia 22 de março, é uma oportunidade de se reconhecer a importância fundamental da água em nossas vidas diárias e para a redução da pobreza, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável das nações. É oportuno que durante 2003, o Ano da Água, haja uma reflexão sobre a importância vital da água e do saneamento para os milhares de milhões de pessoas que ainda não têm acesso a esses serviços básicos.

Seis meses depois da Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável de Johannesburgo, onde ficaram estabelecidas as Metas de Desenvolvimento para Milênio em matéria de água e saneamento - redução pela metade até 2015 da proporção de pessoas sem acesso a esses serviços fundamentais - a comunidade internacional se reúne em Kyoto para discutir as maneiras de atingi-las. Quais são as lições tiradas da Década Internacional do Fornecimento de Água e do Saneamento (1981-1990)?

Os níveis atuais de ajuda internacional destinada à água, saneamento e higiene são estimados em US$ 5 bilhões anuais. Entretanto, os governos do Terceiro Mundo estão gastando aproximadamente o mesmo. Para chegar às metas da campanha com o nome de Wash que a WSSCC (Conselho para a Cooperação para Fornecimento de Água e Saneamento) realiza para reduzir à metade a proporção de pessoas sem acesso à água limpa, é necessário pelo menos o dobro do investimento atual.

O que precisamos são novos e criativos modos de aliviar a pobreza e melhorar a saúde dos menos favorecidos. A comunidade internacional deveria responder aos seguintes desafios.

Como pode um manejo integrado de recursos hídricos incorporar o indispensável novo saneamento? O bom manejo da água é ameaçado por quase todos os lados pela contaminação fecal. Mas não será possível obter um progresso rápido rumo à meta de um novo saneamento a não ser que os responsáveis pelo manejo da água façam uma contribuição essencial. Qual a contribuição que o manejo integrado pode dar para o aperfeiçoamento de tecnologias caseiras que ajudem a atender as necessidades das pessoas em matéria de água e saneamento?

Como pode um manejo integrado servir às necessidades de grupos de baixa renda? Como podem ser garantidos os direitos dos pobres a uma divisão eqüitativa dos recursos hídricos?

O que deve ser feito para acelerar o progresso das Metas de Desenvolvimento para o Milênio em matéria de água e saneamento, especialmente na África subsaariana e em outras regiões que ainda não estão no caminho de reduzir à metade a quantidade de pessoas sem acesso a esses serviços antes de 2015?

A WSSCC não subestima as dificuldades que tem pela frente. O que está em jogo aqui não é apenas uma questão entre muitas outras, mas sim uma renovada tentativa para alcançar o maior de todos os avanços em matéria de saúde pública: melhor água, saneamento e higiene, que foram e são as bases de uma melhor saúde nas nações industrializadas. Sem essas bases nenhuma quantidade de medicamentos, médicos ou de hospitais poderá aumentar o nível da saúde pública no mundo em desenvolvimento para um patamar equivalente ao dos países industrializados. (O autor, Richard Jolly, é presidente do Conselho para a Cooperação para Fornecimento de Água e Saneamento)

Comentários

Comentários