Pedir apoio à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa (AL) para apurar denúncias contra a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). Esse foi o objetivo da visita que os diretores do do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa) fizeram ao vereador José Carlos Batata (PT), anteontem, na Câmara Municipal de Bauru.
Na oportunidade, foi entregue ao petista cópia de um dossiê recheado de acusações contra diretores da Febem, o Governo do Estado de São Paulo e o Ministério Público (MP).
O documento, que será protocolado oficialmente na AL na próxima quinta-feira, pede apuração de supostas licitações “viciadasâ€, pagamento de altos salários beneficiando cargos de confiança, demissões arbitrárias e interesses econômicos e políticos escusos.
Acusações contra a ex-diretora da unidade de Bauru, Edinéa Sita Cucci, constam entre os indícios de irregularidades apontados pela entidade em mais de 600 páginas. Recai sobre ela a denúncia de ter mantido em isolamento uma funcionária que a denunciou improbidade administrativa.
Conforme o JC publicou, a denúncia chegou ao MP de Bauru que a representou na Justiça. Por essa razão, ela foi afastada do cargo pela presidência da Febem e responde a uma sindicância interna. Como não será reconduzida ao cargo, foi substituída nessa semana pela investigadora Maria Aparecida Bien.
“Apesar das irregularidades, o Governo do Estado de São Paulo e o Ministério Público têm atribuído aos trabalhadores a responsabilidade pelas rebeliões. Se utilizam da mídia para construírem junto à sociedade um linchamento público da imagem dos servidores da fundaçãoâ€, explica um dos diretores do sindicato, Edson Brito Silva.
Ele ressalta que o dossiê também levanta suspeitas de superfaturamento na unidade de Franco da Rocha. O complexo teria custado para os cofres públicos R$ 13 milhões, enquanto o valor da obra do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, em São Paulo, que conta com estrutura semelhante, não passou dos R$ 2,5 milhões.
Outro ponto levantado é a proporção de servidores com cargos de confiança. Para cada três funcionários, existe um em cargo de confiança, denunciam os sindicalistas que incluíram no dossiê questões envolvendo contratos emergenciais e contradições entre as políticas aplicadas antes e depois do período eleitoral.
Tribuna
“Por essa razão, viemos a Bauru pedir o apoio da Câmara Municipal. O Batata vai propor na próxima sessão legislativa uma moção de apoio à CPI. O presidente do sindicato, Antonio Gilberto da Silva, vai aproveitar a Tribuna livre para se manifestarâ€, esclarece Silva.
Seu colega, José Alves Carneiro Neto, responsável pela subsede da entidade em Ribeirão Preto, destaca que no dia 27 será realizada uma grande manifestação em frente à Assembléia Legislativa.
“Pretendemos recolher junto à sociedade 200 mil assinaturas em apoio à CPI. Também faremos contato com deputados como o Antonio Mentor (PT), pedindo suporteâ€, complementa.
Batata garante que vai se valer da mesma estratégia para convencer alguns parlamentares da AL, já que para ele é necessário esclarecer fatos contraditórios envolvendo a Febem. “Temos de dirimir dúvidasâ€, diz de maneira contundente.
Apesar das acusações relatadas no documento em questão, os sindicalistas são cautelosos com relação à substituição da ex-diretora da unidade local, Edinéa Sita Cucci.
“Não temos nada a declarar. É um caso do passado que está sendo apurado pela Justiça. Estamos dando um voto de confiança à nova diretora e esperamos que ela tenha bom-senso na administraçãoâ€, finaliza Silva.
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Greve
Anteontem à noite, funcionários da unidade da Febem de Bauru discutiram em assembléia a possibilidade de declararem greve parcial ou total na próxima sexta-feira. A decisão será tomada na véspera, durante a manifestação que será realizada na Assembléia Legislativa.
O Sitraemfa está organizando a categoria para a paralisação porque, segundo a entidade, o governo do Estado não tem dado mostras de manter algumas garantias trabalhistas, como o vale-transporte.
“Lutamos também pela manutenção do vale-refeição e pelo resgate da nossa dignidade. Estão retirando direitos e demitindo trabalhadores doentesâ€, enfatiza Silva.
Os diretores do sindicato ainda ressaltam que as assembléias estão sendo realizadas em todo o Estado e que não existe intenção de tumultuar as atividades em Bauru.
“Como a nova diretora acabou de ser indicada, talvez possam imaginar que estamos convocando os trabalhadores em retaliação a ela. Isso não procede, estamos aqui apenas reivindicando o direito dos trabalhadores. Além disso, demos um voto de confiança a Bienâ€, finaliza.