O aquecimento global, o derretimento das calotas polares, fenômenos climáticos como o El Niño e o aumento da camada de ozônio estão na pauta de discussão dos meteorologistas pelas conseqüências que podem acarretar à Terra. Mas mais grave que isso é a escassez de água doce, sustenta Maurício de Agostinho Antonio, diretor e pesquisador do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Para ele, antes da elevação da temperatura a ponto de causar sérios danos ao Planeta, vai faltar água. “Ficará escassa e muitíssimo cara. Se a poluição está elevando a temperatura global, o impacto será ainda maior com relação à água no futuroâ€, afirma.
A possibilidade de escassez do produto no futuro levou os institutos de pesquisas e universidades do Estado de São Paulo a unirem-se para monitorar as fontes de água doce, revela Antonio. “Estamos implantando um Sistema Integrado de Hidrometeorologia, que vai conjugar meteorologia e hidrologiaâ€, conta.
A proposta, de acordo com o diretor do IPMet, é levantar as condições atuais dos rios, lagos e demais fontes de água doce e fazer uma previsão de como comportarão-se no futuro. “O segundo passo será levar esse diagnóstico e previsão aos órgãos regulamentadores, para que atuem junto às fontes geradoras do problemaâ€, explica.
Antonio lembra que Bauru, como muitas outras cidades, já enfrentam crises esporádicas no abastecimento de água. “O rio Batalha, que abastece 46% da cidade, tem trechos com apenas 20 centímetros de lâmina de água. E no passado era um rio onde muita gente pescava e nadavaâ€, lembra.
O diretor do IPMet frisa que os rios vêm sendo explorados sem monitoramento. “Sabemos quanto de água é retirado do Batalha, mas não qual a sua vazão e quanto era no passadoâ€, diz.
A degradação do rio, ressalta, é resultado da utilização do meio ambiente sem critérios. “As plantações chegaram até às margens do rio, destruindo a vegetação nativa, que fazia a proteção das encostas. Há ações de recuperação, como o reflorestamento que o Fórum Pró-Batalha vem fazendo nas margens, mas é um trabalho que demora para dar resultadoâ€, completa.
Home page
A home page do IPMet, que disponibiliza previsão do tempo e outros serviços, é acessada 400 mil vezes por mês, em média, segundo o diretor do instituto. “O número de acesso mostra que, cada vez mais, a população está recorrendo às previsões. Somos consultados até por pessoas com planos de viajar para a praia e fazer festa em espaço abertoâ€, conta.
O IPMet, que faz previsão regional para curto prazo (no máximo três dias), possui dois radares - um em Bauru e um em Presidente Prudente - para a coleta de dados. “Cobrimos todo o Interior do Estado de São Paulo, norte do Paraná e sudoeste do Mato Grosso do Sulâ€, diz.
O radar é uma espécie de olho eletrônico, que observa e registra ocorrências de chuva. “Os radares monitoram o tempo 24 horas e elaboram boletins a cada 15 e 30 minutos. Com base nos dados coletados, podemos projetar a velocidade do deslocamento e a intensidade da precipitaçãoâ€, explica Ana Maria Gomes Held, pesquisadora e vice-diretora do IPMet.
Os boletins são enviados para órgãos previamente cadastrados, como a Defesa Civil do Estado, em tempo real. “Com base nos dados, a Defesa Civil avalia se a chuva que está se aproximando de determinado local oferece ou não risco e decide se precisa alertar a populaçãoâ€, conta Antonio.
O avanço tecnológico dos últimos anos, por oferecer novas ferramentas de coleta de informações, ajudou a aumentar o índice de acerto das previsões meteorológicas, frisa Ana Maria. Porém, a previsão meteorológica, como a própria palavra diz, ainda é uma previsão do que pode ocorrer, ressalta Antonio.