Bairros

Água já preocupa mais que o clima

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O aquecimento global, o derretimento das calotas polares, fenômenos climáticos como o El Niño e o aumento da camada de ozônio estão na pauta de discussão dos meteorologistas pelas conseqüências que podem acarretar à Terra. Mas mais grave que isso é a escassez de água doce, sustenta Maurício de Agostinho Antonio, diretor e pesquisador do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Para ele, antes da elevação da temperatura a ponto de causar sérios danos ao Planeta, vai faltar água. “Ficará escassa e muitíssimo cara. Se a poluição está elevando a temperatura global, o impacto será ainda maior com relação à água no futuro”, afirma.

A possibilidade de escassez do produto no futuro levou os institutos de pesquisas e universidades do Estado de São Paulo a unirem-se para monitorar as fontes de água doce, revela Antonio. “Estamos implantando um Sistema Integrado de Hidrometeorologia, que vai conjugar meteorologia e hidrologia”, conta.

A proposta, de acordo com o diretor do IPMet, é levantar as condições atuais dos rios, lagos e demais fontes de água doce e fazer uma previsão de como comportarão-se no futuro. “O segundo passo será levar esse diagnóstico e previsão aos órgãos regulamentadores, para que atuem junto às fontes geradoras do problema”, explica.

Antonio lembra que Bauru, como muitas outras cidades, já enfrentam crises esporádicas no abastecimento de água. “O rio Batalha, que abastece 46% da cidade, tem trechos com apenas 20 centímetros de lâmina de água. E no passado era um rio onde muita gente pescava e nadava”, lembra.

O diretor do IPMet frisa que os rios vêm sendo explorados sem monitoramento. “Sabemos quanto de água é retirado do Batalha, mas não qual a sua vazão e quanto era no passado”, diz.

A degradação do rio, ressalta, é resultado da utilização do meio ambiente sem critérios. “As plantações chegaram até às margens do rio, destruindo a vegetação nativa, que fazia a proteção das encostas. Há ações de recuperação, como o reflorestamento que o Fórum Pró-Batalha vem fazendo nas margens, mas é um trabalho que demora para dar resultado”, completa.

Home page

A home page do IPMet, que disponibiliza previsão do tempo e outros serviços, é acessada 400 mil vezes por mês, em média, segundo o diretor do instituto. “O número de acesso mostra que, cada vez mais, a população está recorrendo às previsões. Somos consultados até por pessoas com planos de viajar para a praia e fazer festa em espaço aberto”, conta.

O IPMet, que faz previsão regional para curto prazo (no máximo três dias), possui dois radares - um em Bauru e um em Presidente Prudente - para a coleta de dados. “Cobrimos todo o Interior do Estado de São Paulo, norte do Paraná e sudoeste do Mato Grosso do Sul”, diz.

O radar é uma espécie de olho eletrônico, que observa e registra ocorrências de chuva. “Os radares monitoram o tempo 24 horas e elaboram boletins a cada 15 e 30 minutos. Com base nos dados coletados, podemos projetar a velocidade do deslocamento e a intensidade da precipitação”, explica Ana Maria Gomes Held, pesquisadora e vice-diretora do IPMet.

Os boletins são enviados para órgãos previamente cadastrados, como a Defesa Civil do Estado, em tempo real. “Com base nos dados, a Defesa Civil avalia se a chuva que está se aproximando de determinado local oferece ou não risco e decide se precisa alertar a população”, conta Antonio.

O avanço tecnológico dos últimos anos, por oferecer novas ferramentas de coleta de informações, ajudou a aumentar o índice de acerto das previsões meteorológicas, frisa Ana Maria. Porém, a previsão meteorológica, como a própria palavra diz, ainda é uma previsão do que pode ocorrer, ressalta Antonio.

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