Guerra no Iraque 2003

Vitória não virá de um dia para o outro, diz Tony Blair

Agência Folha
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Londres - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou ontem que a operação militar liderada pelos EUA no Iraque começou bem, mas que a guerra não será vencida “de um dia para o outro”.

Em entrevista a jornalistas reunidos em Bruxelas, onde ocorreu encontro de líderes da União Européia, Blair afirmou que há sinais de deserção de tropas iraquianas e de divisão no regime do ditador Saddam Hussein. “Mas devo alertar que nossas forças vão encontrar resistência e que a campanha, necessariamente, não vai atingir seus objetivos de um dia para o outro”, acrescentou.

Apesar da perda de oito soldados britânicos na guerra, mortos na queda de um helicóptero no Kuwait, o premiê afirmou que a campanha militar no Iraque “parece estar indo bem”. Outros quatro soldados norte-americanos também morreram na queda da aeronave.

Foram as primeiras vítimas do conflito no lado da coalizão liderada pelos EUA. O objetivo do Reino Unido é “concluir a operação com êxito, causando o menor número de mortes possível”, afirmou Blair.

Condolências

O premiê britânico prestou condolências aos oito soldados mortos no Kuwait. “Eram bravos homens que, para nos proporcionar mais segurança, conheciam os riscos, enfrentaram os riscos e tiveram a coragem de servir ao país e a todo mundo”, afirmou. “Temos uma enorme dívida de gratidão com eles”, acrescentou.

Sobre a falta de consenso na União Européia em torno da decisão de invadir o Iraque, Blair insistiu que há apoio dentro do bloco para tal medida. “Há apoio considerável, político e prático”, afirmou ele. “Há um entendimento sobre o desastre humanitário iraquiano.”

Mas as relações entre o Reino Unido, que enviou 45 mil soldados ao Iraque, e a França, contrária à ação militar, estão estremecidas devido às divergências sobre a guerra. Blair, no entanto, afirmou ter recebido uma carta de condolências do presidente francês, Jacques Chirac, pela morte dos soldados britânicos.

União Européia

No encontro de líderes da União Européia, Blair pediu aos 14 colegas para apoiarem uma nova resolução das Nações Unidas que autoriza uma “autoridade civil no Iraque” após a derrubada de Saddam Hussein. Chirac afirmou que a França se oporia a uma resolução que concedesse poderes para os EUA e o Reino Unido para administrar um Iraque pós-guerra.

“A França não aceita uma resolução que possa legitimar uma intervenção militar e dar aos beligerantes poderes para administrar o Iraque”, afirmou. “Isso seria justificar a guerra após o evento.”

O premiê anunciou ainda que as forças britânicas já tomaram a península de Al Faw, no sul do Iraque, onde estão vários terminais de exportação de petróleo. “Tomamos a península Al Faw. Nossas forças participaram da proteção de instalações petrolíferas para evitar a ameaça de desastre ecológico”, afirmou. Segundo Blair, as operações continuariam durante toda a madrugada.

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