Bairros

Taxistas são 'presas fáceis' de bandidos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O contato direto com pessoas conhecidas e desconhecidas que requisitam seus serviços fez com que taxistas e condutores de ônibus - principalmente aqueles que trabalham no período noturno - desenvolvessem estratégias visando a segurança própria.

Eles consideram-se presas fáceis porque trabalham nas ruas da cidade, circulando por diversos bairros, e dizem que é preciso estar sempre de olhos bem abertos.

O taxista Geraldo Santana tenta escolher seus passageiros através da reação deles à cobrança de preços. “Geralmente, a gente pede bem caro para ver a reação da pessoa. Se ela concorda, a gente se afasta e vê que ela não vai pagar. É a malícia de anos de experiência”, explica.

Apesar da tática, ele diz que não há muitos artifícios para fugir da violência. “Cuidado a gente sempre toma, mas o principal é Deus”, destaca.

Jaime Augusto Felipe, outro taxista, também observa bem os passageiros e chega a recusar corridas. “Temos que tomar alguns cuidados, com certeza. Se eu tiver alguma suspeita de que podem ser marginais, eu recuso a corrida”, expõe.

O taxista Alexandre Dias Barbosa sente-se inseguro porque diz que os critérios de avaliação dos passageiros são bastante subjetivos. “Não está escrito na testa de ninguém. Se eu suspeitar da pessoa, eu não levo”, diz.

Por isso, sugere uma ação da polícia intensificada e voltada para os condutores que trabalham à noite. “Nós somos presas fáceis. A polícia poderia fazer algum tipo de abordagem. Caso contrário, acho que não tem o que fazer”, acredita.

Ônibus

Nos coletivos, os freqüentes roubos também tornam necessários os cuidados por parte de cobradores e motoristas.

O cobrador Anésio Lopes conta que já foi assaltado duas vezes. Para evitar grandes prejuízos, ele diz que usa o cofre para guardar dinheiro e passes.

“A gente fica só com o troquinho limite no caixa. Se você ficar com dinheiro no bolso, você está chamando mais o ladrão”, diz.

Como ele encerra o expediente de madrugada, os cuidados não terminam por aí. Chegar em casa ileso a cada dia é mais uma vitória.

“Eu nunca ando beirando a calçada. Sempre ando no meio da rua para evitar qualquer coisa. Já fica mais fácil de correr. Quando chego em casa, primeiro dou uma olhada em tudo antes de abrir o portão”, revela Lopes.

O motorista Antônio Bueno não é tão otimista. “Não tem jeito. Você vai evitar como?”, questiona.

Já o condutor João Batista afirma que, em caso de suspeitas, aciona a polícia. “A gente cisma da pessoa. Às vezes ela está no ponto mal trajada e a gente, que conhece o pessoal da linha, sabe que ela não é da linha. Aí eu não paro no ponto. Largo o passageiro e vou embora”, explica o motorista.

Batista teme agressões físicas. “Levar o dinheiro, até tudo bem. Mas o problema é que eles podem machucar o motorista ou o cobrador”, diz.

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Entregadores têm táticas

Driblar a violência, que sempre é acentuada à noite e em locais escuros, também é tarefa para outros tipos de trabalhadores, como entregadores de pizza e garçons.

Em uma pizzaria localizada no Jardim América, os funcionários não fazem entregas em bairros muito distantes e evitam locais escuros. Segundo a gerente Ana Cristina Matos Cunha, eles só recebem cheques no valor da compra.

Jalmieri Fernandes, gerente de uma pizzaria que fica nos Altos da Cidade, além de contratar segurança particular para atuar no local, é bastante atento aos pedidos feitos por telefone. Em alguns casos, ele não aceita encomendas feitas de telefones públicos e explica que os entregadores trabalham em uma área restrita da cidade.

“Não tem como mandar o segurança com o motoqueiro. A gente tem jogo de cintura e muito cuidado para falar para o cliente que a gente não entrega”, expõe Fernandes.

Garçons

Para garçons e outros funcionários de restaurantes e lanchonetes, que trabalham na maioria das vezes até a madrugada, o dilema diário é um pouco diferente. A tarefa, aparentemente simples, é chegar em casa.

O garçon Pascoal Genis trabalha na avenida Nações Unidas e caminha cerca de 12 quadras de madrugada para chegar à sua residência, no Centro. Ele carrega um canivete e fica atento à movimentação nas ruas.

A medida adotada pelo garçon Anivaldo Alcântara, que mora no Mary Dota e trabalha no Centro, é usar roupas e sapatos velhos, além de não carregar muito dinheiro na carteira. “Só passe de ônibus”, frisa.

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Transurb cobra ação da polícia

Para a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), a melhor forma de melhorar a segurança nos coletivos de Bauru é intensificar as abordagens policiais.

O presidente da associação, José Antônio Jacomelli, diz que voltou a subir o número de assaltos a ônibus, principalmente no período noturno. Em média, são três roubos por dia.

Ele diz que os funcionários são orientados a colocar o dinheiro nos cofres e a nunca reagir. Além disso, os passes são inutilizados.

“O ladrão pega na surpresa. Para ele, apertar o gatilho é a coisa mais normal do mundo”, diz.

O comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Wellington Luiz Venezian, diz que durante os meses de janeiro e fevereiro deste ano foram realizadas 760 abordagens em ônibus coletivos de Bauru. “Foram mais de dez abordagens por dia”, reforça.

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