Dirigentes da saúde pública brasileira estão preocupados com a velocidade alarmante com que casos de conjuntivite têm se espalhado pelo País nas últimas semanas. A doença é benigna e tende a desaparecer naturalmente (como uma gripe) após uma a duas semanas. Porém, causa dor e outros incômodos importantes, além de exigir que o paciente mantenha-se afastado do trabalho e escolas durante a crise.
Os primeiros surtos de conjuntivite apareceram a partir da última Quarta-feira de Cinzas (05/03) e, em menos de 20 dias, seis Estados já tratam o problema como epidemia. A situação do Paraná é uma das mais preocupantes. Só em Foz do Iguaçu 108 mil pessoas estão contaminadas - o que representa 40% dos moradores, de acordo com a Secretaria de Saúde local.
Santa Catarina registrou mais de 23 mil casos depois do Carnaval. O Estado de São Paulo ocupa o terceiro lugar neste ranking, com cerca de 13 mil pessoas infectadas. As regiões mais afetadas são a Baixada Santista, com mais de 6 mil vítimas, e os litorais Norte e Sul. Só a cidade de Praia Grande identificou 1,5 mil casos em apenas dez dias.
E a lista está aumentando: já são mais de 5 mil contaminações no Rio Grande do Sul, cerca de 1.000 casos no Mato Grosso do Sul e situação de alerta no Rio de Janeiro.
De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência de Bauru, Felinto dos Santos Neto, não existe nenhum indício de surto da doença na rede pública municipal de saúde. Porém, algumas clínicas e hospitais da rede privada da cidade já garantem que houve um aumento considerável no número de casos nas últimas duas semanas.
“Tenho diagnosticado conjuntivite em cinco a oito pacientes por dia desde o Carnavalâ€, afirma o oftalmologista Fabiano Alves Neves. Ele e outros médicos salientam que a doença que está se espalhando no País é de origem viral e vírus multiplicam-se muito rapidamente. Portanto, um único paciente pode desencadear um grande surto.
Para piorar, cidades que já estão enfrentando a epidemia divulgam que praticamente 50% dos profissionais de saúde também tiveram que se afastar do trabalho porque adquiriram a doença. A defasagem de médicos e enfermeiros mostra-se tão grande que alguns destes municípios estudam a possibilidade de realizar consultas coletivas para conseguir atender à demanda.
Com tantas pessoas infectadas no País, médicos advertem que é fundamental que todos redobrem sua atenção e seus cuidados com a higiene para tentar impedir a disseminação da doença em outras regiões do País.