Profissionais de saúde das mais diferentes áreas e filosofias concordam que a automedicação pode ser extremamente prejudicial ao ser humano. Neste sentido, os oftalmologistas são unânimes em afirmar que o uso inadequado de colírios pode causar lesões oculares muito graves, levando, inclusive, à perda da visão.
Os oftalmologistas Luiz Utyama e Fabiano Alves Neves comentam que muitas pessoas têm o hábito de pingar colírio para as mais diferentes situações - até para clarear os olhos. Os médicos lembram que estes produtos são remédios, contêm substâncias químicas e podem surtir efeitos indesejados quando mal aplicados.
“A gente vê famílias inteiras usando o mesmo colírio sem saber para quê. Se um está com o olho vermelho, o outro logo recomenda ‘pinga isso aqui que vai melhorar’. E nem sabe o que o outro tem nos olhosâ€, ressalta Utyama.
Ele lembra que a grande maioria dos colírios apresenta cortisona em sua formulação. “A cortisona, numa determinada fase da conjuntivite infecciosa, favorece o crescimento viral pode provocar o agravamento do problema. Além disso, a cortisona, usada indevidamente, pode causar catarata e glaucomaâ€, destaca.
Por isso a importância de se procurar um oftalmologista para fazer o diagnóstico correto. Às vezes, uma conjuntivite acomete vários membros de uma família, mas o tipo da infecção exige tratamentos diversificados. Neste caso, a regra é a mesma: doenças diferentes podem ter sintomas semelhantes, mas o tratamento que funciona para uma pode complicar a situação da outra.
“Até porque, o próprio colírio pode ser um vetor de contaminação. Ele pode ser portador de uma bactéria e causar conjuntivitesâ€, salienta Utyama.
Segundo ele, quando um frasco de colírio é aberto, sua validade é reduzida para 40 dias, independentemente da data marcada na embalagem. A validade inscrita no rótulo refere-se ao medicamento lacrado. Ao abrir o frasco, o produto entra em contato com a atmosfera e todos os germes ali presentes.
Geralmente, a fórmula dos medicamentos contém produtos capazes de manter o remédio livre das contaminações, mas esses produtos perdem sua eficácia. No caso dos colírios, isso ocorre em 40 dias, em média.
“E a gente vê pessoas que mantêm um colírio na prateleira do banheiro há mais de um ano e de repente pinga para clarear o olhoâ€, comenta o médico.
Utyama observa que o melhor colírio que existe é a lágrima - produzida na medida exata para a higienização e proteção dos olhos. Fora isso, a dica é usar água limpa ou soro fisiológico.
Mas se nada disso conseguir evitar uma contaminação, aí só o médico tem a habilitação necessária para diagnosticar o problema e prescrever o melhor tratamento. O uso abusivo de medicamentos pode causar problemas irreversíveis.