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Meta de inflação, que coisa feia

Sinafresp
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O governo de Lula acaba de concluir uma revisão do acordo feito pelo governo anterior com o Fundo Monetário Internacional, pelo qual o Brasil tem um crédito de 30 bilhões de dólares que poderá ser utilizado até 30 de setembro deste ano de 2003. Desse crédito o nosso País já havia sacado US$ 4,3 bilhões. Tanto a revisão feita quanto o novo saque, segundo fontes do governo, são conseqüências da crise internacional provocada pela confrontação envolvendo os Estados Unidos e o Iraque. A revisão do acordo visou, principalmente, a elevação para mais da meta de inflação; e o saque de mais de quatro bilhões de dólares destina-se a reforçar as reservas cambiais para enfrentar emergências.

O que chama mais atenção sobre essa notícia é a nova meta de inflação acertada com o FMI. Antes o Banco Central havia estabelecido que a inflação não poderia subir mais do que 8,5% no ano. Para tanto foram elevadas as taxas de juros que pularam de 19% em outubro do ano passado para 26,5% em fevereiro deste ano. Ocorre que a inflação não caiu conforme o esperado e agora a nova meta estabelecida é de uma inflação que pode chegar ao teto de 17% até o mês de setembro próximo. Essa previsão é assustadora. Anunciar uma meta de inflação prevista pelo próprio governo de 17% parece ser um convite para desencadear aumentos de preços e indexação de contratos que vão realimentar a inflação. Essa história nós já conhecemos. Não é possível que tenhamos que revivê-las.

Chama atenção, também, a pesquisa feita pelo Procon sobre a quantas andam os juros para os consumidores. No cartão de crédito e no cheque especial a taxa anual de juro já chega à casa dos 200%, cobrada sob o pretexto de que a taxa selic está muito alta (26,5%) e a inadimplência tem aumentado devido a queda de renda da população. Essas duas novidades que apareceram no noticiário desta semana são de extrema gravidade. Elas mostram que, tanto o acordo com o FMI quanto a continuada política de aumentar juros para conter a inflação não está dando resultado. Algo diferente precisa ser feito na área econômica para que o Brasil volte a crescer, gerar emprego, gerar renda e estabilizar os preços. Caso contrário, vamos voltar aos velhos tempos da ciranda financeira e da inflação galopante de triste memória.

David Torres Presidente

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