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"A guerra, nunca mais"


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“Bem-aventurados os que promovem a paz!” (Mt 5, 9). Infelizmente os Estados Unidos e tampouco o Iraque não estão merecendo esse louvor do Cristo, Senhor da história e Rei da Justiça e da Paz. Depois de seu prepotente ultimatum para que Saddam Hussein abandonasse seu país, o presidente George W. Bush autorizou o início da guerra, sem querer aguardar as tentativas diplomáticas que não se tinham ainda esgotado. A ONU mostrou-se impotente para evitar o conflito armado e ficou moralmente mais enfraquecida como organismo de promover a paz entre as nações. O Iraque certamente sairá derrotado e arrasado. E os Estados Unidos vitoriosos não se tornarão vítimas de uma onda de terrorismo generalizado que roubará a paz e a tranquilidade de seu povo? Na verdade, o mundo inteiro será prejudicado, pois “a guerra é sempre uma derrota da humanidade”, afirmou há pouco João Paulo II.

Aliás, João Paulo II, não obstante seus 82 anos e sua fragilidade física, foi um dos nomes de maior destaque em incentivar e assumir as mais diversas iniciativas diplomáticas para tentar evitar essa guerra que, segundo ele, seria imoral e criminosa. O papa viveu e sofreu na própria carne os horrores da segunda guerra mundial.

Terça-feira passada, o principal porta-voz do Vaticano, Joaquim Navarro-Valls, afirmou: “Aqueles para quem se esgotaram as alternativas pacíficas oferecidas pelas leis internacionais, assumem uma grande responsabilidade diante de Deus, de sua consciência e da história”. Ao lado dos esforços diplomáticos, João Paulo II insistentemente conclamou os cristãos e a humanidade inteira a orar pela paz, especialmente no Oriente Médio. Esse venerável ancião, sim, merece o louvor da bem-aventurança da paz.

“A guerra, jamais a guerra!” foi o brado de Paulo VI num seu memorável discurso na abertura de uma sessão extraordinária da ONU em Nova Iorque. Esse brado deveria ser não só dos governantes, mas de todos os cidadãos do mundo.

A paz é elemento essencial da mensagem do Evangelho. Foi o anúncio alegre da noite de Natal: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Deus ama!” Paz, em hebráico shalom, significa não apenas ausência de hostilidades bélicas, mas o conjunto de todos aqueles bens materiais e espirituais a que o homem e a mulher têm direito para serem felizes, ainda que dentro das humanas limitações.

A paz caminha junto com a justiça. “A justiça e a paz se abraçam” é o anúncio esperançoso do salmista (Sl 84, 11). Justiça é um ensinamento que perpassa toda a Bíblia, como exigência de condições de vida digna para todos. A verdadeira justiça, porém, somente existirá se estiver impregnada de amor solidário e fraterno. “A humanidade padece de uma grave enfermidade que é a falta de fratrernidade” sabiamente afirmou Paulo VI na sua encíclica “ Populorum Progressio”, sobre o desenvolvimento dos povos.

Não obstante a guerra em curso, acreditamos na justiça e na paz, porque o Deus da justiça e da paz veio morar no meio dos homens, no coração da história. Sua presença é o bom fermento que tudo pode transformar. Deus nos livre de impedir a ação benéfica desse fermento divino.

Somos chamados a promover uma “cultura da paz” dentro e em volta de nós. É urgente uma pedagogia envolvente da paz, uma santa “obsessão” pela paz! A paz é um bem por si mesmo irradiante, difusivo e contagiante. A paz é possível e está ao nosso alcance porque ela é, antes de tudo, um dom de Deus. Nesta hora de trepidação para a paz, unamo-nos num imenso mutirão de oração, independentemente de confissões religiosas, invocando o Deus de todos os povos para que faça raiar a aurora da paz para o Oriente Médio e toda humanidade. É urgente uma pedagogia envolvente da paz, uma santa “obsessão pela paz! (Frie Lourenço M. Papin, OP)

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