Economia & Negócios

Correios querem ir à favela e sítio

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O presidente nacional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Airton Dipp, disse ontem, em Bauru, que o investimento na ampliação dos serviços durante 2003 será de R$ 800 milhões. Boa parte do valor será utilizado para ampliar o acesso da população aos serviços sociais de recebimento e envio de correspondências, sobretudo em favelas e propriedades rurais. A ECT chega hoje a 82% de todos os domicílios brasileiros. A empresa quer universalizar o sistema.

Airton Dipp participou de solenidade de posse do novo diretor da Regional São Paulo-Interior da empresa pública - que tem sede me Bauru -, Vitor Joppert. “O novo diretor da regional do Interior de São Paulo assume a gestão aqui para participar deste projeto de universalização dos serviços dos Correios, com o viés social que o novo governo exige”, conta Dipp.

Ele informa que o orçamento deste ano é de R$ 6 bilhões. “Para este orçamento temos R$ 800 milhões em 2003 de investimento, sendo a maioria de grande retorno social. Vamos utilizar esses recursos para chegar aos brasileiros de comunidades rurais, para atender aos que moram em favelas e que hoje ainda não são têm acesso aos nossos serviços”, explica.

A atividade dos Correios está vinculada ao Ministério das Comunicações (MC) do governo federal. A empresa tem orçamento anual garantido por lei vinculado à arrecadação. “Se a economia não for bem, todos os serviços públicos perdem, e com os Correios não é diferente. Não sabemos como terminará essa guerra insana no Oriente Médio e que poderá desregular a economia mundial”, alerta.

Assim, a empresa também sofrerá os reflexos da guerra entre EUA e Iraque, conta. “Se a economia retrair, o volume de entregas e compras cai. Então teremos sérias dificuldades em manter o custeio dos investimentos previstos e de manter, inclusive, tarifas. Os R$ 800 milhões são para ampliar o retorno social aos brasileiros que residem nos locais de mais difícil acesso”, complementa.

Meta de serviços

“Os Correios são uma empresa pública, concessão da União, com capital da União. Por isso, no governo Lula nós queremos ampliar os serviços postais. Hoje, somente 82% da população brasileira tem acesso aos serviços postais, seja de entrega de cartas, de encomendas ou objetos. E nós queremos fazer com que todo cidadão, inclusive o do meio rural e os moradores das favelas, possa contar com os nossos serviços”, explica.

Dipp comenta que, para chegar a todos os brasileiros, será necessário combater a “competição desleal” com empresas de entrega de encomendas da iniciativa privada. “Temos que buscar resultados empresariais para universalizar o serviço. Mas não é justo que nosso custo seja diluído para todo o imenso território nacional, enquanto o setor privado atua só em região rentável e sem regulamentação”, conta.

Problemas do mercado

Para pôr em prática o plano de gestão, o comando dos Correios está buscando junto ao novo Congresso Nacional a regulamentação dos serviços da concorrência privada. “A universalização do serviço de envio e recebimento de postagens e objetos é da ECT. Esse papel exige que os Correios tenham operação deficitária para endereços distantes”, comenta.

Conforme Dipp, o custo é para todo o território nacional. “Cobramos por custos que não abrangem o mínimo das despesas para atender aos mais distantes locais, nos confins da Amazônia. Achamos que esse é nosso papel. Mas de outro lado, não pode continuar a competição desleal privada no mercado rentável de entrega de objetos nos centros”, acrescenta.

Para Dipp, só a regulamentação com diferenciação de tarifas resolve a questão. “Em nossos custos, a despesa de uma área é coberta por outra. Mas é preciso instituir tarifas monopolizadas para os setores onde só os Correios atuam e regulamentar onde não há o monopólio para competirmos em pé de igualdade com quem só visa o lucro”, completa.

O principal argumento de Dipp é que o serviço privado não tem compromisso com o papel social. “As empresas privadas não podem continuar livres no segmento mais rentável e sem atuar com função social. É preciso regulamentar diferenciando os papéis para ampliar a universalização do serviço” defende.

O presidente dos Correios comenta que uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) no ano passado apontou a empresa como a de maior credibilidade no País e em segundo lugar como entidade. “A primeira entidade mais confiável foi a família e, a segunda, os Correios. Isso não é pouco”, pondera.

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