O presidente nacional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Airton Dipp, disse ontem, em Bauru, que o investimento na ampliação dos serviços durante 2003 será de R$ 800 milhões. Boa parte do valor será utilizado para ampliar o acesso da população aos serviços sociais de recebimento e envio de correspondências, sobretudo em favelas e propriedades rurais. A ECT chega hoje a 82% de todos os domicílios brasileiros. A empresa quer universalizar o sistema.
Airton Dipp participou de solenidade de posse do novo diretor da Regional São Paulo-Interior da empresa pública - que tem sede me Bauru -, Vitor Joppert. “O novo diretor da regional do Interior de São Paulo assume a gestão aqui para participar deste projeto de universalização dos serviços dos Correios, com o viés social que o novo governo exigeâ€, conta Dipp.
Ele informa que o orçamento deste ano é de R$ 6 bilhões. “Para este orçamento temos R$ 800 milhões em 2003 de investimento, sendo a maioria de grande retorno social. Vamos utilizar esses recursos para chegar aos brasileiros de comunidades rurais, para atender aos que moram em favelas e que hoje ainda não são têm acesso aos nossos serviçosâ€, explica.
A atividade dos Correios está vinculada ao Ministério das Comunicações (MC) do governo federal. A empresa tem orçamento anual garantido por lei vinculado à arrecadação. “Se a economia não for bem, todos os serviços públicos perdem, e com os Correios não é diferente. Não sabemos como terminará essa guerra insana no Oriente Médio e que poderá desregular a economia mundialâ€, alerta.
Assim, a empresa também sofrerá os reflexos da guerra entre EUA e Iraque, conta. “Se a economia retrair, o volume de entregas e compras cai. Então teremos sérias dificuldades em manter o custeio dos investimentos previstos e de manter, inclusive, tarifas. Os R$ 800 milhões são para ampliar o retorno social aos brasileiros que residem nos locais de mais difícil acessoâ€, complementa.
Meta de serviços
“Os Correios são uma empresa pública, concessão da União, com capital da União. Por isso, no governo Lula nós queremos ampliar os serviços postais. Hoje, somente 82% da população brasileira tem acesso aos serviços postais, seja de entrega de cartas, de encomendas ou objetos. E nós queremos fazer com que todo cidadão, inclusive o do meio rural e os moradores das favelas, possa contar com os nossos serviçosâ€, explica.
Dipp comenta que, para chegar a todos os brasileiros, será necessário combater a “competição desleal†com empresas de entrega de encomendas da iniciativa privada. “Temos que buscar resultados empresariais para universalizar o serviço. Mas não é justo que nosso custo seja diluído para todo o imenso território nacional, enquanto o setor privado atua só em região rentável e sem regulamentaçãoâ€, conta.
Problemas do mercado
Para pôr em prática o plano de gestão, o comando dos Correios está buscando junto ao novo Congresso Nacional a regulamentação dos serviços da concorrência privada. “A universalização do serviço de envio e recebimento de postagens e objetos é da ECT. Esse papel exige que os Correios tenham operação deficitária para endereços distantesâ€, comenta.
Conforme Dipp, o custo é para todo o território nacional. “Cobramos por custos que não abrangem o mínimo das despesas para atender aos mais distantes locais, nos confins da Amazônia. Achamos que esse é nosso papel. Mas de outro lado, não pode continuar a competição desleal privada no mercado rentável de entrega de objetos nos centrosâ€, acrescenta.
Para Dipp, só a regulamentação com diferenciação de tarifas resolve a questão. “Em nossos custos, a despesa de uma área é coberta por outra. Mas é preciso instituir tarifas monopolizadas para os setores onde só os Correios atuam e regulamentar onde não há o monopólio para competirmos em pé de igualdade com quem só visa o lucroâ€, completa.
O principal argumento de Dipp é que o serviço privado não tem compromisso com o papel social. “As empresas privadas não podem continuar livres no segmento mais rentável e sem atuar com função social. É preciso regulamentar diferenciando os papéis para ampliar a universalização do serviço†defende.
O presidente dos Correios comenta que uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) no ano passado apontou a empresa como a de maior credibilidade no País e em segundo lugar como entidade. “A primeira entidade mais confiável foi a família e, a segunda, os Correios. Isso não é poucoâ€, pondera.