Política

CP nega arquivamento para Bueno

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A Comissão Processante (CP) instalada para apurar denúncias de irregularidades contra o vereador Roberto Bueno (PTB) negou ontem o pedido de arquivamento do processo protocolado pelo parlamentar na última quinta-feira.

Com a decisão, a Processante inicia uma nova fase: a de produção de provas. O presidente da CP, Faria Neto (PDT), em comum acordo com Edmundo Albuquerque (PPS) - relator -, e Paulo Madureira (PPB) - membro - agendou para a próxima segunda-feira, 31, às 8h30, o depoimento do petebista.

As testemunhas de acusação serão ouvidas pela comissão no próximo dia 14, e as de defesa, no dia 15. A CP tem até o dia 8 de junho para apresentar o relatório conclusivo da investigação, que pedirá o arquivamento das denúncias ou a cassação do mandato de Bueno.

O vereador, que ocupou a função de vice-presidente do Poder Legislativo no biênio 2001/2002, é acusado ter efetuado um “desmanche administrativo” para facilitar a prática de irregularidades na Casa. Também é acusado de ter sido o autor de um processo de compra em duplicidade de um módulo de computador, não entregue pelo fornecedor, no valor de R$ 3.267,00.

O advogado do parlamentar, Cláudio José Amaral Bahia, argumenta na defesa prévia por escrito encaminhada à Processante que a formação da comissão incorreu em ilegalidade porque haveria a necessidade de aprovação de dois terços do plenário, ou seja, 14 votos. Na oportunidade, a CP para Bueno foi aprovada por maioria simples, 11 votos.

Parecer

O parecer emitido por Albuquerque relata que não é da competência da comissão discutir a instalação da Processante. “Nós estamos numa comissão que foi constituída anteriormente. Ela não pode julgar a sua formação. A nós compete julgar se a denúncia corresponde ou não”, explica. Na avaliação dele, depois de tomar os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa, o próximo passo - se não houver a necessidade de novas convocações - será a redação do relatório conclusivo.

“A gente espera que num prazo de 30 dias possamos estar terminando o processo”, prevê. Mas o presidente da CP, Faria Neto, diz que é preciso ter cautela para determinar um prazo visando o encerramento das atividades da CP.

“O que nós queremos é que haja transparência, sem injustiças. Temos até o dia 8 de junho para terminar, sem afogadilho. Se o relator entender que com esse material já será possível dar um parecer, nós, democraticamente, vamos aceitar”, avalia.

O vereador Roberto Bueno usou a tribuna da Câmara Municipal na sessão legislativa de ontem para dizer que recebeu com tranqüilidade a notícia de que seu pedido de arquivamento de denúncia foi negado pela Processante.

“Com os depoimentos que serão tomados, vamos poder tirar a conclusão real do que acontece na Câmara Municipal”, comentou.

O parlamentar disse, ainda, que não havia tomado conhecimento oficialmente do conteúdo do parecer assinado por Edmundo Albuquerque.

“Dependendo do conteúdo, vamos tomar outros encaminhamentos. Mas acredito que a Processante tem competência para levantar os pontos necessários. Estou à disposição para uma convocação”, afirmou.

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‘Pedi para não ser relator’

O vereador Edmundo Albuquerque (PPS) comentou ontem que logo após seu nome ter sido sorteado para compor a Comissão Processante (CP) de Roberto Bueno (PTB), pediu a Faria Neto (PDT) e Paulo Madureira (PPB) - demais membros da CP - para não ser indicado relator do processo.

Antes do plenário aprovar a Processante para Bueno, por 11 votos a favor e dez contra, Albuquerque foi à tribuna da Câmara defender o petebista. “Pedi a Deus que me iluminasse. Procurei no relatório algo que justificasse o pedido de Comissão Processante. Não achei”, comentou no discurso.

Além de ter sido sorteado para compor a CP de Bueno, o vereador do PPS acabou sendo o escolhido para assumir a relatoria do processo, fato que o deixa numa situação desconfortável.

“Fui sorteado para a comissão. Pedi aos outros membros (Faria Neto e Paulo Madureira) para que um dos dois fosse o relator porque eu não tinha esse desejo. Os dois não concordaram e propuseram um sorteio. Fui o sorteado”, relata.

Albuquerque diz que tem “fé em Deus” e acredita que foi o escolhido para que se “faça justiça.” “Os 21 vereadores votaram nesse processo. Alguém votou sim e alguém votou não. Da mesma forma que eu poderia ter me sentido mal por ter votado não, por que que alguém que votou sim não poderia se sentir assim também?”, questiona.

O parlamentar assume que fez pronunciamento público no qual disse ser contrário à instalação da comissão. “Isso, sim, pode estar pesando. Eu me sinto na obrigação de esquecer o meu voto como vereador e a partir do momento que fui indicado relator, tenho que pensar como relator.”

Albuquerque acha que na função de relator da CP tem a obrigação de procurar “mais a fundo” os fatos que possam a vir comprovar virtuais irregularidades praticadas por Bueno. “Se acontecer alguma coisa, não vejo problema de mudar o meu voto e dizer: olha, descobri que existe alguma coisa que deva cassar o vereador Roberto Bueno”, finaliza.

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