Na manhã de quarta-feira de cinzas, resgatei da rua um gato cujo braço esquerdo - dilacerado por algum acidente - estava sendo devorado por larvas de moscas. O pobre animal era só sofrimento; era óbvio que precisava de cuidados médicos urgentes. Como o veterinário que costumo consultar estivesse viajando, levei-o a outro profissional, que me pediu “no mínimo quinhentos reais†para operá-lo e tratá-lo. Por achar o preço proibitivo, procurei outro veterinário, o qual, agindo com mais dignidade e sensatez, prestou um serviço adequado por preço bem inferior e condizente com aquela situação. Acredito sinceramente que ninguém é obrigado a fazer caridade e a trabalhar de graça, mas pedir “no mínimo quinhentos reais†para salvar a vida de um gato de rua agonizante parece-me tão despropositado quanto exigir pagamento em dólar para salvar a vida de um indigente. Já que por ora os animais não dispõem de serviço público de saúde, será que não mereceriam um pouco mais de consideração daqueles que, ao se graduarem, juraram defender seu bem-estar? (Vânia Rall Daró - RG 13.792.357-0)
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