Turismo

De volta a Buenos Aires

Por Elaine Barbosa | com Agência Estado
| Tempo de leitura: 4 min

Parece os anos 70. A Argentina, especialmente Buenos Aires, está cada vez mais atrativa para os brasileiros. Há hotéis cobrando apenas US$ 14 de diária com direito a ingresso em cassino, pacotes de duas ou três noites por menos de US$ 200, shows de tango com jantar incluso por US$ 20 e facilidades em várias companhias aéreas que oferecem descontos e ainda de quebra racham o valor da passagem no cartão de crédito.

Inegavelmente, Buenos Aires é um banho de cultura, diversão e de história. Uma cidade que atravessa crises sem se curvar, tem prédios que lembram as belas cidades européias, em especial Madri e Paris, teatros com a melhor acústica, museus, parques bem cuidados, avenidas largas e um charme especial.

Devido à descendência européia, os argentinos são elegantes por natureza, fazendo questão de exibi-la em recintos públicos e particulares. Quem sabe também uma herança de Evita Peron, menina pobre que se tornou a voz do proletariado, mas desfilava jóias e trajes luxuosos em palácios e tornês pelo mundo. Dificilmente se vê nos cafés da cidade, que são uma instituição, homens sem terno e gravata.

E a grande maioria dos portenhos tem curso superior, fala mais que um idioma e faz análise periodicamente. É a capital latina com o maior número de consultórios de psicologia por habitante.

Com o equilíbrio do real frente ao peso, o contato com a cidade mais européia das américas está mais fácil, atraindo gente de todas as partes.

De acordo com o gerente-comercial da TAM Viagens na Argentina, Diógenes Toloni, a partir de julho de 2002 o movimento turístico de brasileiros para o país voltou a se normalizar.

Hoje, a TAM embarca cerca de 10 mil passageiros por mês para território argentino - incluindo a companhia aérea e a operadora de turismo - contra 3.800 em abril do ano passado, mês que marca o aquecimento do fluxo de turistas brasileiros para o país vizinho.

Há pacotes com mais ou menos dias. Mesmo os apertados em número de diárias são vantajosos. Afinal, aproveitar um final de semana numa tangueria autêntica, tomar o melhor vinho de Mendoza (existe uma certa rivalidade entre as duas províncias, mas nada que um belo cálice não possa resolver), comer uma bela parrilada ou um bife de chourizo com papas fritas fumegantes, já valerá a viagem.

Ou menor, o “pulo”. Apenas duas horas e meia de vôo separam São Paulo do Aeroporto de Ezeiza. Tempo menor que uma viagem sem escalas para o Nordeste. O outono, que começou na semana passada, é uma das melhores épocas para se visitar a capital tomada por flores de tonalidade azul que contrastam com o rosa quase salmão da Casa Rosada e com a relva verdinha de suas inúmeras praças.

Charme europeu

Vivem na Grande Buenos Aires, mais de 11 milhões de habitantes. Na maioria, descendentes de imigrantes europeus, como os italianos e espanhóis que procuraram melhores chances de vida além mar.

Fixaram-se primeiramente ao redor do rio da Plata, no pitoresco bairro La Boca, onde o francês de Toulouse, Carlos Gardel (existem versões não confirmadas de que ele teria nascido no Uruguai) soltava o vozeirão encantando boêmios, prostitutas e em especial gente com saudade de casa.

Em La Boca, bairro dos primeiros moradores genoveses, fica o Caminito e o estádio de “La Bombonera”, sede do clube de futebol Boca Juniors, onde quem tiver sorte poderá assistir a um jogo entre seu eterno rival, o River Plate.

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Tango: a alma portenha

Viajar para Buenos Aires e não ver tango é ir ao Rio de Janeiro e não passar pelo Cristo Redentor.

Para se assistir aos bailarinos de rua, uma boa opção é começar o passeio por La Boca, berço do tango, onde bailarinos se apresentam gratuitamente.

Depois, uma boa pedida é aproveitar a noite e visitar algumas casas de tango e cafés-concerto. A noite em Buenos Aires é uma das grandes atrações. As danceterias não lotam antes das 3h.

A Esquina Carlos Gardel é uma casa muito visitada por turistas e portenhos. É muito fácil distingui-los. Geralmente, o nativo vai de terno e gravata e o visitante, de roupas informais.

Localizada no valorizado bairro Asbasto, a casa fica numa esquina, numa rua batizada de Carlos Gardel. Lá, pode-se comer iguarias típicas, como o bife de chorizo, e assistir a um produzido show de tango, num ambiente decorado relembrando os salões do início do século.

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