Política

Acordo com CEF reduz déficit na Cohab

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) assinou, ontem, com a Caixa Econômica Federal (CEF) o contrato de renegociação de dívida que permite a eliminação do déficit operacional mensal de quase R$ 800 mil verificado até o final do ano passado.

Com a assinatura do termo de renegociação, a Cohab deixa de pagar R$ 2,2 milhões/mês referentes a contratos antigos ainda em aberto e reduz a obrigação mensal para R$ 1,2 milhão. A companhia não estava arrecadando o suficiente para cumprir os compromissos com a CEF até o final de 2002.

O saneamento parcial das contas internas foi possível graças a duas operações. Ontem ocorreu a primeira. O prefeito Nilson Costa (PPS) assinou a renegociação junto com o presidente da Cohab, Constante Mogioni, e o gerente da CEF, Augusto Fernando Correia Alexandre. “A CEF intermediou o recebimento de créditos da Cohab junto ao Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS). A habilitação dos créditos foi feita e a CEF assumiu os valores junto ao governo federal”, explica Alexandre.

Com isso, os créditos que estavam parados (R$ 194 milhões) foram deduzidos do passivo (compromissos a pagar) da Cohab, que caiu para R$ 420 milhões. O saldo continuará sendo deduzido pelos próximos 14 anos, tempo que falta para que a companhia encerre cerca de 26 mil contratos habitacionais ainda em andamento.

A grande preocupação continua sendo a inadimplência. “Os contratos vão se extinguindo e se a Cohab não construir mais casas não terá o que fazer em pouco tempo”, adverte Mogioni. O prefeito acredita que a renegociação vai gerar novas oportunidades. “Com a dívida não sendo paga, nós não tínhamos nem como inscrever a Cohab em projetos. Agora acredito que a companhia pode iniciar uma nova fase”, cita.

Antes disso, a companhia terá que resolver a dívida com a seguradora. A crise levou ao não-pagamento do seguro dos conjuntos habitacionais que foram construídos pela Cohab-Bauru. A dívida chega a R$ 40 milhões. O valor está sendo discutido através de auditoria interna.

Mas Mogioni acredita que a situação pós-renegociação vai permitir o cumprimento das obrigações. “A receita atual é de R$ 2,1 milhões. O custeio é de R$ 120 mil com folha e a parcela mensal do seguro é de R$ 350 mil. O repasse para a CEF caiu para R$ 1,2 milhão. Com esse quadro vamos normalizar a situação”, conta.

A renegociação tira um peso sobre a gestão da Cohab. A superintendência da CEF iria executar o débito, o que provocaria a insolvência completa da companhia que já vinha acumulando prejuízo operacional.

Além da renegociação, a Cohab reduziu o número de funcionários de 198 (março de 2000) para os atuais 77.

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