Bairros

Projeto limita garagens em imóveis

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Um projeto de lei do vereador Faria Neto (PDT) protocolado na última sessão da Câmara prevê que imóveis com até 11 metros de frente para vias e logradouros públicos poderão ter apenas uma abertura para garagem de, no máximo, 3,6 metros de comprimento. Para cada nova garagem feita na testada dos imóveis, ele propõe acréscimo de 40% no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Na exposição de motivos, o vereador argumenta que sua proposta visa aumentar a capacidade de estacionamento na via pública. “Como não existem regras que disciplinem o rebaixamento de guias para a previsão de garagem nos imóveis de Bauru, constata-se um desequilíbrio no uso das mesmas”, diz.

Muitos imóveis, independente da fachada, tem abertura para várias garagens, ressalta Faria Neto. “Com isso, impedem o uso democrático dos espaços públicos, diminuindo a capacidade de estacionamentos comuns, direito de todos os cidadãos, respeitadas as limitações gerais impostas por leis”, frisa.

O projeto prevê, ainda, a reconstrução das guias que tenham sido rebaixadas para a abertura de garagem em desacordo com a lei, caso o proprietário não queira arcar com o acréscimo do IPTU. A proposta de limitação do número de aberturas para garagens promete gerar polêmica porque a maior parte dos terrenos da cidade tem até 11 metros de fachada, segundo Maria Helena Rigitano, secretária municipal do Planejamento.

Portanto, se o projeto for aprovado, a maioria dos imóveis poderá ter apenas uma entrada para garagem. Maria Helena não vê problema na aprovação de uma lei que discipline a abertura para garagens. No entanto, ela pretende conversar com Faria Neto sobre o projeto porque tem observações a fazer.

O principal é quanto ao acréscimo no valor do IPTU. “Se no imóvel existir três garagens, o valor do IPTU será aumentado em 80%?”, questiona. A secretária ressalta que, dependendo da fachada do imóvel, a limitação para abertura de garagens pode não aumentar o número de vagas para estacionamento.

“Num lote de 11 metros, por exemplo, se tirarmos os 3,6 metros para a garagem, vão sobrar 6,4 metros. Ou seja, uma vaga grande, mas que não cabem dois veículos”, compara.

Dois veículos

José Martinho Teixeira da Silva, presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), acha que o projeto não resolveria o problema de falta de vagas para estacionamento na cidade e prejudicaria os proprietários dos imóveis.

“A região central é a única na cidade com problemas de estacionamento. Então não adiantaria nada um projeto desses para a cidade toda. Além disso, boa parte das famílias de Bauru tem dois carros e precisa de duas garagens”, afirma.

Se o projeto de Faria Neto for aprovado, a dona de casa Neusa Maria Araújo Fernandes, será uma das proprietárias de imóveis que terão que pagar 40% a mais de IPTU ou reduzir uma garagem. A sua casa, na Vila Alto Paraíso, tem duas aberturas para garagem. “Somos três pessoas em casa e temos dois carros. Acho que essa proposta é inviável”, diz.

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