Tribuna do Leitor

Respeito ao deficiente


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Sou leitora assídua do Jornal da Cidade e reconheço a importância e seriedade desse jornal. Percebo que há a preocupação em defender os direitos dos cidadãos, bem como o comprometimento em denunciar quando os mesmos são negados. Desse modo, senti-me obrigada em enviar esse e-mail com a finalidade de denunciar uma ocorrência freqüente e solicitar, se possível, a sua divulgação, tanto aos demais cidadãos (com o intuito de educá-los), bem como providenciar esclarecimentos junto as organizações competentes no assunto. Meu namorado sofreu um grave acidente há quase dois anos e, desde então, tornou-se deficiente físico, necessitando de muletas e cadeira de rodas para a locomoção. Embora sua deficiência seja temporária, ele apresenta muitas limitações para sua locomoção. Portanto, ele vive, durante esse período, o que um deficiente físico permanente deve sofrer diariamente, em termos de preconceito e desrespeito de suas necessidades, o que nos sensibiliza (a mim e a ele) e nos impulsiona a lutar pelos seus direitos. Constantemente, quando vamos aos supermercados, shopping, posto de saúde, escolas ou ao centro de Bauru, as vagas reservadas para os deficientes estão ocupadas, geralmente, por pessoas que não apresentam nenhuma deficiência. Conseguimos identificar isso inúmeras vezes ao observar a ausência do selo obrigatório, que deve ser colado no veículo, ou porque vemos as pessoas saindo ou chegando em seus veículos.

Muitas vezes, com a finalidade de educar essas pessoas e fazer valer o direito de quem precisa daquela vaga, deixamos uma carta no pára-brisa do veículo, a qual é, geralmente, amassada e JOGADA NO CHÃO (outro ato pouco nobre!!). Com outras pessoas tentamos uma abordagem direta e as pessoas “parecem” que não mais farão isso, pelo menos procuram outra vaga. No entanto, já ouvimos as desculpas mais descabidas: hoje estou com dor no joelho, por isso parei aqui; tenho dificuldades para andar, mas não sou deficiente físico e não vou usar no colante no carro. E vou continuar parando aqui; eu cheguei, não tinha ninguém na vaga, porque não posso ficar aqui? Não tem outro lugar perto e não quero andar para procurar outra vaga. É que era rapidinho. Como ia adivinhar que alguém ia querer usar? Com essas desculpas, sempre nos parecia que, realmente, o que essas pessoas queriam falar era que o deficiente NÃO DEVE sair em público. “O que ele vai fazer aqui? Fique em casa!”. Ainda temos que suportar a curiosidade discriminatória e desrespeitosa das pessoas, bem como sua desatenção pelo uso indevido dos recursos dos deficientes, tais como caixas ou passagens preferenciais, ou ainda pela obstrução do caminho. Mas isso é ainda outra história!!! Desse modo, contando com a competência desse jornal, aguardamos a resposta referente a essa denúncia, bem como da possibilidade de elaborar uma reportagem tratando do assunto. Muito obrigada pela atenção. Sem mais. (Ivete Baraldi)

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