Guerra no Iraque 2003

Ataque à televisão iraquiana pode violar a Convenção de Genebra

Reuters
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Bruxelas - O chefe da maior organização mundial de jornalistas disse que o ataque americano com bombas e mísseis contra a sede da televisão iraquiana, ontem, representa uma tentativa de censura e pode ter violado a Convenção de Genebra.

“Acho que deve haver uma investigação internacional clara para averiguar se esse ataque viola a Convenção de Genebra”, ponderou Aidan White, secretário-geral da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). “Temos todas as razões para crer que este tenha sido um ato de censura de uma mídia que desagrada aos políticos e estrategistas militares dos Estados Unidos”, disse ele.

Em Washington, um alto funcionário dos EUA informou que o ataque atingiu a principal emissora de televisão iraquiana, um depósito chave de telecomunicações e a central de comunicações via satélite de Bagdá, prejudicando a capacidade de comando e controle do governo.

Mas White avalia que, se a televisão fosse um alvo militar, ela já teria sido alvejada antes. “Não há dúvida alguma de que este ataque reflete a raiva e frustração dos líderes políticos americanos pelo fato de a televisão ter mostrado imagens de prisioneiros americanos e pelo uso da televisão para elevar a moral dos defensores de Saddam Hussein”, disse White. â€œÉ a única explicação lógica deste ataque”.

White disse que a FIJ, que representa mais de 500 mil jornalistas em 100 países, acredita que não há justificativa militar para o ataque, que lembrou o incidente em que a Otan bombardeou a Rádio e Televisão Sérvia durante a guerra em Kosovo, três anos atrás.

“Mais uma vez, vemos comandantes militares e políticos do mundo democrático atacando uma rede de televisão simplesmente porque não gostam da mensagem que ela transmite”, disse ele. Apesar do ataque, a televisão iraquiana voltou ao ar por volta das 9h (3h pelo horário de Brasília), e a rádio estatal também estava transmitindo normalmente.

O canal internacional via satélite iraquiano, que transmite 24 horas por dia, saiu do ar durante os ataques mas voltou às 9h20, horário local, com canções patrióticas. A FIJ disse que a lei internacional proíbe que sejam atacadas estações de rádio e televisão a não ser que sejam utilizadas para fins militares. Não há evidências de que fosse esse o caso no Iraque.

A FIJ tampouco acredita que as emissões de TV pudessem incluir mensagens cifradas enviadas ao Exército iraquiano. “A idéia de que os soldados iraquianos fiquem sentados no meio do deserto, assistindo à TV para receber suas ordens, é absurda”, avaliou White.

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