Londres - O impacto da guerra sobre o meio ambiente e a saúde pública no Iraque pode ser maior e sair mais caro do que o de qualquer conflito anterior na região, disseram especialistas ontem.
Vazamentos de óleo, incêndios em poços de petróleo, o uso de urânio empobrecido nas armas e os danos (acidentais ou deliberados) a oleodutos, refinarias, indústrias de fertilizantes e estações de tratamento de esgotos podem provocar prejuízos a longo prazo para os recursos naturais do país e seus habitantes.
“Pode ter um impacto maior e mais longo (do que a primeira Guerra do Golfo, em 1991), porque a área do impacto é mais ampla e porque a população exposta será muito maiorâ€, afirmou Paul Horsman, especialista em petróleo na entidade Greenpeace. “Além disso, parece que (esta guerra) vai durar mais tempoâ€.
Horsman, que trabalhou com especialistas do Oriente Médio na avaliação do impacto dos vazamentos de petróleo no Kuwait, em 1991, disse que só o movimento de milhares de veículos militares pelo deserto já é suficiente para causar danos ao meio ambiente. “Acho que, se você voltar lá em 10 ou 20 anos, ainda vai ver essas marcas no desertoâ€, afirmou.
Na primeira Guerra do Golfo, os incêndios de poços de petróleo poluíram o ar, e os vazamentos criaram enormes lagos negros no meio do deserto. “A vegetação foi coberta pelo petróleo e grandes partes do deserto pareciam um imenso estacionamentoâ€. Até agora, só um punhado de poços de petróleo foram incendiados no Iraque, muito menos do que os cerca de 700 queimados em 1991.
A ONU e o governo do Kuwait estão monitorando os incêndios. Embora seja impossível prever os desdobramentos da guerra, os ambientalistas acreditam que inevitavelmente haverá danos ao meio ambiente. “A gravidade disso para as pessoas vai depender da duração do conflito e do que será feito para reabilitar e limitar os danos depoisâ€, disse William Jackson, da World Conservation Union, da Suíça.
Jackson informou que o impacto ambiental da guerra será ainda maior se forem usadas armas químicas, biológicas ou nucleares. Na opinião dele, os danos ambientais acabarão sendo deixados de lado após o conflito. “Precisamos ter uma abordagem balanceada, que leve em conta alguns dos impactos humanitários de longo prazo provocados pelos danos ambientaisâ€, afirmou.
Mesmo antes da guerra, o governo iraquiano já vinha sendo criticado por ter drenado os pântanos na confluência dos rios Tigre e Eufrates, provocando uma desertificação parcial e expulsando milhares de moradores originais da região.