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Vereador pede nova análise de chumbo no Jd. Tangarás

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) reivindica da Secretaria Municipal de Saúde uma campanha de investigação para verificar se os hortifrutigranjeiros da região do Jardim Tangarás permanecem com índices de chumbo. A solicitação, dirigida ao prefeito Nilson Costa, foi protocolada segunda-feira na Câmara Municipal de Bauru.

“Trata-se de uma medida de precaução porque os produtos das hortas, pomares e granjas não foram mais fiscalizados. O poder público, de maneira geral, é incompetente para lidar com casos de contaminação. A análise deveria ser feita por conta própria, independente do meu requerimento”, queixa-se Rodrigo.

Se a solicitação do vereador for acatada pela administração municipal, tranqüilizará Rosário Lima Teodoro, que mora no bairro e voltou a consumir os ovos e as galinhas que cria numa chácara instalada na quadra 2 da rua Luiz Berro.

“Não fizeram testes aqui, mas gostaríamos que fossem realizados porque embora ninguém mais fale sobre isso, o assunto ainda nos preocupa, principalmente porque nossos cachorros têm apresentado problema na pele e estão menos resistentes”, explica.

Mesmo ressabiada, Rosário também consome as verduras cultivadas numa propriedade vizinha, que comercializa as hortaliças na cidade.

“Já vieram aqui e levaram nossas alfaces para pesquisar. Por duas vezes nada foi constatado. Minhas duas filhas também foram submetidas a exames, mas não apresentaram taxa alta de chumbo no sangue. Quando os problemas da contaminação foram levantados, fiquei preocupada. Agora estou tranqüila”, explica Ilda Iwacoshi.

Tem a mesma serenidade, a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu, que rechaça a postura do vereador. “A prefeitura não trabalhou sozinha. As ações no bairro foram respaldadas por especialistas do Brasil e do Exterior, como o do Center Desease Contral (CDC), referência internacional. Todos elogiaram nosso trabalho e rapidez”, ressalta.

Análises

De acordo com Maria Helena, foram feitas duas análises nos hortifrutigranjeiros cultivados no Jardim Tangarás, sendo que na segunda apenas o leite de cabra ainda permanecia contaminado. Os moradores, que não comercializavam o produto, foram proibidos de consumi-los.

“Assim que o Instituto Adolpho Lutz estiver preparado, refaremos os estudos. As crianças estão sendo monitoradas e a grande maioria deve repetir os testes em julho. Quanto aos animais com problema, devem ser encaminhados a veterinários que, caso suspeitem de doenças infecto-contagiosa, devem nos acionar”, conclui.

Apesar da aparente calmaria, Clarice Ramos, também moradora do bairro, ainda teme a contaminação e recea que a constante dor de cabeça suportada por ela e a filha seja decorrente do chumbo. “Já procurei o médico e não deu nada, mas meus filhos de 14 anos e 15 anos não passaram por especialistas “, conta.

Já seu vizinho José Carlos Alves queixa-se do abandono do Tangarás, que teve os imóveis desvalorizados após o anúncio da contaminação. “Estamos abandonados. As crateras estão à mostra e o trabalho de recuperação ambiental está parado”, critica.

De acordo com informações da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), somente há dois meses a empresa de Baterias Ajax, responsável pela contaminação do bairro, apresentou um plano de recuperação da área degradada.

Devido ao atraso de um ano, ela foi autuada duas vezes. A multa, no total, ultrapassa os R$ 300 mil.

“A Cetesb, em São Paulo, está estudando as estratégias de descontaminação propostas pela empresa, que por não voltar a funcionar provavelmente desenvolverá ações basicamente visando o solo, a vegetação e a água da região onde estava instalada”, finaliza o gerente da Cetesb em Bauru, Rogério Chini.

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Aniversário

Em fevereiro, a interdição do setor metalúrgico da empresa de baterias Acumuladores Ajax completou uma ano. As atividades foram suspensas porque havia emissão de chumbo através da chaminés dos fornos.

Para apurar a dimensão dos danos ambientais, a saúde pública submeteu os moradores do bairro a uma bateria de exames que constatou alteração para o chumbo, principalmente nas crianças.

Pelo mesmo motivo, os hortifrutigranjeiros produzidos no Jardim Tangarás foram vetados da alimentação e os animais foram sacrificados.

Para reverter a situação, um plano emergencial de remediação na área de saúde foi implementado. As caixas d’água das casas foram limpas e a terra contaminada de ruas, sarjetas e quintais removidas. A operação foi concluída no início deste ano.

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