Economia & Negócios

Comércio de passes chega aos pontos de ônibus em Bauru

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Uma nova “profissão” está surgindo no comércio informal de Bauru. São pessoas que vendem os passes do transporte coletivo nos pontos de ônibus.

O preço é o mesmo da tarifa convencional, ou seja, R$ 1,20. “Nossa missão é facilitar o troco. Os cobradores de ônibus nos adoram”, afirma o vendedor Marcos Antônio Protti.

A venda é feita de ponto em ponto. Ele aborda os passageiros que estão à espera do ônibus e oferece a troca do dinheiro pelo passe.

Protti diz que conhece outras duas pessoas que estão trabalhando na mesma função. “Compro o passe a R$ 1,10 nas bancas e no comércio e depois venho para os pontos revendê-los.”

Segundo o vendedor, é possível negociar até 300 passes por dia. “Mas não é um trabalho fácil. Chego aqui às 9h e fico até 19h30. Além disso, tem muita gente que me critica, dizendo que eu deveria dar um desconto.”

Ele escolheu trabalhar próximo à Câmara Municipal. “Aqui os pontos têm uma circulação maior de pessoas e eu também fico perto dos meus fornecedores.”

Protti diz também que não encontrou problemas com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). “Toda hora converso com os fiscais. Um deles chegou, inclusive, a conferir os passes para verificar se eles eram verdadeiros.”

O vendedor conta que começou a exercer a função há um mês. “Antes eu viajava até o Paraguai para comprar CDs, mas tive que parar depois que parte da mercadoria foi apreendida.”

Segundo ele, a atividade tem contribuído para amenizar o problema da falta de troco no comérico. “No final do dia, procuro as farmácias, lojas e supermercados. Dou as moedas e notas menores que arrecado e recebo notas de maior valor.”

Emdurb

O diretor de Transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, diz que a empresa não pretende tomar nenhuma atitude contra essa prática. “A lei diz que só nós podemos fazer a comercialização dos passes e é isso que está acontecendo. Essas pessoas estão revendendo um produto que foi adquirido por empresas e seus funcionários.”

Ele afirma ainda que há outro motivo para que a Emdurb não interfira na questão. “Negociamos cerca de 1,5 milhão de passes por mês. O valor movimentado no mercado informal não chega a 1%.”

Fantini Júnior lembra que já há solução para o caso. “Estamos estudando a implantação das catracas eletrônicas. Quando isso for concretizado, será impossível revender os bilhetes.”

O diretor comenta que esse mercado informal de passes acaba sendo benéfico para o usuário. “Nos casos em que a pessoa compra por R$ 1,10, é uma maneira de se conseguir um desconto. Isso não significa prejuízo para a Emdurb, e sim que essa diferença de preço está sendo subsidiada pelos empresários, que fornecem os passes por um preço mais baixo, e pelos funcionários, que os revendem por um valor menor do que a tarifa.”

A assessoria de imprensa da Transurb, empresa que administra o sistema de transporte coletivo de Bauru, informa que cabe à Emdurb analisar o caso.

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