Os três prontos-socorros (PSs) descentralizados de Bauru - Bela Vista, Mary Dota e Independência - deixarão de atender urgência pediátrica aos domingos, das 7h às 19h, por déficit de médicos dessa especialidade nos quadros da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Aos domingos, durante o dia, todo atendimento de urgência envolvendo criança ficará centralizado no Pronto Atendimento Infantil (PAI), que funciona ao lado do Pronto-Socorro Central, no Centro da cidade. A medida é válida já a partir deste domingo.
A secretária municipal da Saúde, Sônia Fiocchi, e o diretor do Departamento de Urgências e Emergências da SMS, Felinto dos Santos Neto, explicam que a medida foi tomada porque a prefeitura não está conseguindo contratar pediatras. “Tínhamos um déficit de 212 horas para pediatria, o que corresponde a nove profissionais contratados por 24 horas semanais e no último concurso tivemos só três inscritosâ€, conta Sônia.
Dos três inscritos, um não compareceu para fazer a prova e um vai trabalhar só 12 horas por semana porque já tem contrato temporário, também de 12 horas semanais, com a SMS. Para piorar a situação, recentemente dois profissionais pediram exoneração e uma terceira pediatra entrará em licença-maternidade, de acordo com Sônia.
“A nossa esperança era conseguir contratar pediatras para preencher o quatro nesse concurso. Como não conseguimos, vamos suspender o atendimento nos PSs descentralizados aos domingos durante o dia e garantir o atendimento no PAIâ€, diz a secretária de Saúde. Porém, Luis Freitas, secretário da Administração, garante que a situação é provisória. “Vamos continuar fazendo concursos para tentar preencher as vagasâ€, frisa.
O PAI, que só atende urgência pediátrica, funciona 24 horas. Felinto acredita que a unidade não terá problemas em absorver a demanda dos PSs Bela Vista, Mary Dota e Independência na área infantil aos domingos se a equipe, formada por quatro pediatras, estiver completa.
“O PAI faz, em média, 190 atendimentos aos domingos. Como já chegamos a 250 atendimentos na segunda-feira, que é um dia de pico, se estivermos com equipe completa, não haverá problemas para receber os casos das unidades descentralizadasâ€, afirma.
Cada PS descentralizado, faz no máximo, 20 atendimentos pediátricos aos domingos, de acordo com Felinto. “Levamos o paciente em consideração ao decidir pela suspensão desse serviço aos domingos, para evitar que, ao procurar uma unidade descentralizada, não ache pediatra. Procurando o PAI, será atendidoâ€, completa.
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Usuária reclama que sempre faltou médico
A diarista Eloane Mara Aparecido, que tem um filho de 4 anos e outro de 9, não se surpreende com a suspensão da urgência pediátrica nos prontos-socorros descentralizados. â€œÉ um absurdo isso, mas não me surpreende porque é comum não ter pediatra no PS da Bela Vista, onde costumo levar meus filhos “, conta.
Antes de sair de casa, Eloane costuma telefonar para o PS para saber se tem pediatra. “Se não tem, levo direto para o PAI. Mas prefiro levar no PS porque tem menos gente. O PAI sempre está lotado. Agora, que está em reforma, é pior ainda. Meu filho tem bronquite alérgica e não pode tomar póâ€, diz.
Para a diarista, a prefeitura deveria empenhar-se mais em contratar médicos. “E não é só na área de pediatria que falta médico. O governo faz essas campanhas na TV, de câncer de mama e outras doenças, mas a gente não consegue vaga para consultar. Tem que passar a madrugada na fila e sem a certeza de conseguir senhaâ€, critica.
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Salário
Em função da dificuldade em contratar pediatras, a prefeitura vai estudar formas para tentar atrair o interesse desse especialista para atuar na Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A garantia é de Sônia Fiochi, titular da pasta, e de Luis Freitas, secretário das Administração.
O salário inicial para médico plantonista na SMS, para 24 horas semanais, é de R$ 2,2 mil. “Estamos conversando com o prefeito Nilson Costa a forma legal de oferecer atrativos aos pediatrasâ€, diz Freitas.
Para Felinto dos Santos Neto, diretor do Departamento de Urgências e Emergências da SMS, faltam pediatras na rede municipal de saúde por dois motivos: a atividade de plantonista é muito estressante e Bauru, por ter vários hospitais, inclusive com UTI pediátrica, oferece opções de emprego.