Guerra no Iraque 2003

Nações Unidas vive dia de tensão após divergência

Agência Folha
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Nova York - A diplomacia da ONU entrou em confronto aberto ontem, numa sessão marcada pela imagem do embaixador americano deixando uma reunião enquanto seu colega iraquiano discursava.

Enquanto isso, os membros do Conselho de Segurança não se entenderam sobre os próximos passos da entidade. A discussão é sobre a ajuda humanitária ao Iraque, um item que a própria ONU considera urgente, mas para o qual o Conselho não tem conseguido consenso.

A divisão continua mesmo após o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, tem feito um apelo público para que fosse retomado o programa “Petróleo por Comida”, responsável por alimentar 60% dos 27 milhões de iraquianos.

Rússia e Síria dizem não aceitar que EUA e Reino Unido, os dois países da coalizão que ataca o Iraque, coordenem o novo modelo do programa, que está suspenso desde o início da guerra. “Não vamos apoiar a proposta de que o mecanismo para ajuda humanitária seja reestruturado sob um cenário militar”, disse o embaixador da Rússia, Sergei Lavrov.

Nem americanos e britânicos, aliás, conseguem chegar a a um acordo: reticentes, os EUA ainda estudam proposta de seu aliado para rescrever o plano de retomada do programa. Bens avaliados ao redor de US$ 10 bilhões, trocados por petróleo e já destinados anteriormente ao Iraque, esperam para entrar no país, o que depende da aprovação do Conselho, pedida por Annan.

A ONU diz que trabalha ainda em um programa imediato de US$ 2,1 bilhões, que seria o maior pacote humanitário de ajuda humanitária de sua história. Acusações O Iraque, porém, acha que a entidade deveria se ocupar de tentar estancar o conflito em vez de colocar de pé um pacote de ajuda.

“O problema humanitário é importante, mas é mais importante parar a guerra”, declarou ontem Mohammed Al-Douri, embaixador do Iraque na ONU. Em seu discurso, ele atacou duramente EUA e Reino Unido.

Disse que os americanos usam a questão humanitária para ocultar sua “agressão criminal”. Afirmou que o país pretendia atacar o Iraque mesmo antes da invasão ao Kuwait, em 1990. “Reino Unido e EUA estão para começar uma verdadeira guerra de extermínio, que matará e destruirá tudo. O lamento deles depois será inútil”.

“O aviso que eu gostaria de dar aos membros deste Conselho é que EUA e Reino Unido foram enganados quando disseram a eles que a população iraquiana iria recebê-los com flores”, disse o embaixador do Iraque. Nesse momento, seu equivalente americano, John Negroponte, levantou-se e saiu da sala da reunião. “Não aceito nenhuma das acusações”, afirmou ele.

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