Genebra - Um investigador da Organização das Nações Unidas afirmou ontem que uma muralha de segurança que segundo Israel protege seus cidadãos contra atiradores e atentados suicidas praticados por palestinos é ilegal e constitui “anexação progressiva†do território palestino.
“O muro está sendo usado como forma de expandir o território israelenseâ€, disse John Dugard, autor de um relatório especial, antes de apresentá-lo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. “Equivale a um ganho ilegal de territórioâ€.
O Ministério da Defesa de Israel propôs esta semana ampliar a cerca de segurança, que mais ou menos acompanha a fronteira da Cisjordânia, para o interior da região, a fim de proteger as colônias judaicas de Ariel, Emmanuel e Keddumin.
“Israel responde que se trata de uma medida de segurança temporária, mas acredito que na realidade se trate de uma anexação progressiva de território palestinoâ€, disse Dugard.
Em seu relatório sobre a violação de direitos humanos nos territórios ocupados, que será apresentado à Comissão, ele disse que nenhuma das partes havia respeitado devidamente a vida dos civis, nos mais de dois anos de levante palestino pela independência.
Mas, embora Israel tenha preocupações reais de segurança que não podem ser ignoradas, sua resposta foi excessiva e desproporcional aos ataques palestinos, afirmou. O grande número de mortos e feridos, a crise humanitária, a destruição de propriedades e a expansão do território israelense na Cisjordânia não são justificáveis, considerou.
“Nessa era de medidas contra o terrorismo, Israel conseguiu obter tremenda simpatia para seu argumento de que estava envolvido em ações defensivas em resposta aos atentados suicidas dos palestinosâ€, disse Dugard. “Trata-se de resposta desproporcional, que não pode ser justificada por razões de necessidade militarâ€.
Cerca de 1.955 palestinos e 727 israelenses foram mortos no levante que começou em setembro de 2002, depois do colapso de negociações para um Estado palestino independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.