Guerra no Iraque 2003

Cerca de Israel é ilegal, diz ONU

Por Karen Iley | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Genebra - Um investigador da Organização das Nações Unidas afirmou ontem que uma muralha de segurança que segundo Israel protege seus cidadãos contra atiradores e atentados suicidas praticados por palestinos é ilegal e constitui “anexação progressiva” do território palestino.

“O muro está sendo usado como forma de expandir o território israelense”, disse John Dugard, autor de um relatório especial, antes de apresentá-lo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. “Equivale a um ganho ilegal de território”.

O Ministério da Defesa de Israel propôs esta semana ampliar a cerca de segurança, que mais ou menos acompanha a fronteira da Cisjordânia, para o interior da região, a fim de proteger as colônias judaicas de Ariel, Emmanuel e Keddumin.

“Israel responde que se trata de uma medida de segurança temporária, mas acredito que na realidade se trate de uma anexação progressiva de território palestino”, disse Dugard.

Em seu relatório sobre a violação de direitos humanos nos territórios ocupados, que será apresentado à Comissão, ele disse que nenhuma das partes havia respeitado devidamente a vida dos civis, nos mais de dois anos de levante palestino pela independência.

Mas, embora Israel tenha preocupações reais de segurança que não podem ser ignoradas, sua resposta foi excessiva e desproporcional aos ataques palestinos, afirmou. O grande número de mortos e feridos, a crise humanitária, a destruição de propriedades e a expansão do território israelense na Cisjordânia não são justificáveis, considerou.

“Nessa era de medidas contra o terrorismo, Israel conseguiu obter tremenda simpatia para seu argumento de que estava envolvido em ações defensivas em resposta aos atentados suicidas dos palestinos”, disse Dugard. “Trata-se de resposta desproporcional, que não pode ser justificada por razões de necessidade militar”.

Cerca de 1.955 palestinos e 727 israelenses foram mortos no levante que começou em setembro de 2002, depois do colapso de negociações para um Estado palestino independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

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