Bauru está prestes a ter um privilégio até agora reservado apenas às grandes capitais brasileiras, o de sediar apresentações de grandes corporações musicais de outros países. A cidade entrará de vez na rota da música internacional no dia 10 de maio, quando a orquestra americana da Western Michigan University realizará um show na Cervejaria dos Monges.
Em julho a cidade poderá apreciar o som da Sacramento Youth Symphony Orchestra, a sinfônica da capital californiana. Os shows de Bauru farão parte da turnê brasileira de ambas as orquestras, que antes passarão por cidades como Manaus, Belo Horizonte, Ouro Preto e Rio de Janeiro.
As apresentações pretendem ser as primeiras de uma série, segundo Ilse Roderick, agente cultural da Ambassador Tours, uma empresa americana que conta com cerca de 60 grupos musicais cadastrados, com até 150 componentes. São coros e orquestras, formados por adultos e crianças, em estilos que vão do jazz ao erudito, passando pela música popular.
Roderick, que esteve na cidade essa semana, conta que Bauru foi incluída na rota da Ambassador - que leva seus grupos para apresentações em todo o mundo - graças ao professor bauruense Benedito Sampaio Guedes de Azavedo.
No ano 2000, quando ainda morava nos Estados Unidos, Azevedo ficou sabendo que uma orquestra de Sacramento viria ao Brasil e procurou saber se o grupo não poderia se apresentar em Bauru. Roderick era a organizadora da viagem. Desde então os dois têm trabalhado para trazer os coros e orquestras americanas para o País.
“Queremos que a apresentação das duas orquestras seja o embrião de um futuro festival de inverno em Bauruâ€, revela Azevedo. O nome já foi até escolhido: “Two Americasâ€, ou “Duas Américasâ€.
Além de promover a música erudita, as apresentações têm também o objetivo de funcionar também como um intercâmbio cultural, já que Roderick, uma alemã que viveu por muitos anos no Brasil, faz questão de promover uma integração entre os músicos e a população local.
“Visitar o país e não interagir com o povo brasileiro não vale a pena. Eles querem saber como são as famílias e a gente não aprende isso num hotelâ€, argumenta a agente cultural. Em Bauru, por exemplo, os membros da Western Michigan University, 60 jovens com idades entre 18 e 21 anos, vão ficar em casas de famílias que se voluntariaram para recebê-los por dois dias.
“Procuramos famílias dispostas a falar para eles do Brasil, conversar e não pessoas que vão apenas levá-los de casa para o local da apresentaçãoâ€, explica Roderick.
No futuro, a idéia de Roderick e Azevedo é que os grupos americanos realizem apresentações em conjunto com orquestras e coros locais. A agente cultural acredita que grupos bauruenses possam negociar shows internacionais com mais facilidade depois que esse intercâmbio estiver estabelecido.