Guerra no Iraque 2003

Ataque em mercado de Bagdá mata 58

Agência Folha
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Bagdá - Um forte bombardeio atingiu ontem um mercado popular na cidade de Bagdá, deixando ao menos 58 civis iraquianos mortos e 47 feridos, segundo hospitais da região, disse a rede de TV CNN. O ataque aéreo, que ocorreu por volta das 21h (15h em Brasília), atingiu o mercado Al Nasser, perto do hospital Al Nur, no bairro de Shula.

Segundo o diretor do hospital Al Nur, Harki Razuki, os feridos chegaram em estado grave ao local. De acordo com Razuki, não existem alvos militares na região. Um correspondente da TV Al Jazeera, do Qatar, afirmou que 51 iraquianos morreram e 49 ficaram feridos no ataque aéreo.

A TV árabe Abu Dhabi afirmou que dois mísseis de cruzeiro atingiram o mercado e mostrou um grande buraco em uma rua e diversos carros destruídos. Segundo testemunhas, um outro ataque aéreo tinha atingido um bairro residencial de Bagdá ontem por volta das 12h30 (6h30 em Brasília), deixando pelo menos oito civis iraquianos mortos e 33 feridos.

Os mísseis destruíram totalmente uma casa e causaram graves destroços em outras três no bairro de Al Mansur, no centro da capital iraquiana, disseram as fontes. Oito corpos foram retirados dos escombros das casas bombardeadas, e outras 33 ficaram feridas, de acordo com as fontes.

Forças paramilitares iraquianas lançaram morteiros e utilizaram metralhadoras contra cerca de 1.000 civis iraquianos que tentavam sair de Basra, forçando alguns deles a retornar à cidade no Sul do Iraque, segundo autoridades militares britânicas e testemunhas que estavam no local no momento do incidente.

Militares britânicos aparentemente tentaram revidar os ataques, mas suspenderam a ação por medo de que os civis ficassem feridos, de acordo com Emma Thomas, uma porta-voz das forças britânicas no golfo. Como resultado, alguns civis voltaram para Basra em caminhões.

Não se sabia quantos civis conseguiram escapar. Forças britânicas têm cercado a cidade de Basra, que possui pelo menos 1,2 milhão de habitantes, com a esperança de eliminar unidades ainda leais ao presidente iraquiano, Saddam Hussein, e de abrir caminho para a ajuda humanitária à região.

Ontem, porém, o coronel Chris Vernon disse que as forças britânicas não estavam “nem um pouco perto” de controlar a cidade, a segunda maior do Iraque.

Vernon informou que as forças anglo-americanas subestimaram o nível de resistência de grupos leais a Saddam e que os civis de Basra precisam ser convencidos de que as forças da coalizão vão apoiá-los se eles se rebelarem contra Saddam.

Muitos civis iraquianos vêm deixando Basra todos os dias para tentar conseguir comida - depois, muitos voltam para casa. “Nossa interpretação é que aqui talvez haja os primeiros indícios de que a população iraquiana está tentando se livrar do regime do partido Baath e da milícia”, declarou Vernon.

“Claramente, a milícia não quer isso. Eles querem manter a população ali e atiraram contra ela para forçá-la a retornar (a Basra).” Forças iraquianas lançaram morteiros contra civis que tentavam deixar Basra ontem de manhã. Mulheres e crianças tentaram se proteger em pânico. Alguns civis conseguiram atravessar uma ponte e deixar a cidade.

Medo

“Eles também estavam com medo de nós”, afirmou o tenente-coronel Mike Riddell-Webster. “Eles não sabem o que está acontecendo, mas estão com mais medo do partido Baath. O regime local na cidade ainda está usando o medo como o principal instrumento para manter a população na linha”, afirmou o major britânico Lindsay MacDuff. “Detivemos um homem no bloqueio outro dia que nos disse que, se nós não o deixássemos fugir para o Sul, ele ou seus familiares seriam mortos.

Tivemos de obrigá-lo a voltar por razões de segurança”, afirmou MacDuff. “Quando nós o vimos novamente, ele estava carregando um Kalashnikov na linha de frente da oposição”, declarou.

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