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Não torça mais o pescoço!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Qual é o motor? Quanto custa? Quem é o dono? Quem o fez? Quer vender? É aquele que saiu no Jornal da Cidade? Desde que passou a circular pelas ruas com uma motocicleta, tais perguntas viraram rotina no cotidiano do bauruense Odinei Gonçalves da Silva.

Só que ele não se torna o centro das atenções por acaso. A explicação está no triciclo em que o próprio Odinei construiu após oito anos de muito esforço. E realmente o veículo justifica a atração de olhares curiosos e admirados, pois, além de bonito, possui um notável conjunto mecânico.

A começar pelo motor a álcool “importado” do Volkswagen Santana que, para ser acionado, Odinei instalou uma partida elétrica. O chassi é inteiramente tubular e o design copia os modelos americanos de estilo “choper”, com tanque em forma de gota, guidão alto e garfo longo da suspensão. O câmbio, de quatro marchas mais a ré, foi discretamente instalado à esquerda da moto.

Os bancos foram confeccionados imitando as técnicas utilizadas em Opalas e, para garantir boa dirigibilidade e conforto ao rodar, Odinei caprichou nas dimensões dos pneus. Os traseiros são 195 e equipam rodas aro 14, enquanto o dianteiro é um 165 em roda aro 13.

Na traseira, o triciclo possui detalhes que evidenciam a preocupação de Odinei com a segurança. O banco para o “garupa” é dotado de cinto abdominal e as lanternas possuem faixas refletivas de sinalização noturna.

Mas o maior “charme”, e uma das maiores atrações, do triciclo é o painel, que se destaca pelo tamanho e por ser adaptado de um veículo antigo raro de ser visto circulando por aí: um americano Oldsmobile 1958.

Outro detalhe que chama a atenção na motocicleta é um cilindro localizado logo abaixo do banco do passageiro. Quem olha pela primeira vez pensa tratar-se de um equipamento de apoio, um grande equívoco rapidamente explicado por Odinei. â€œÉ o tanque reserva com capacidade para 50 litros. Com ele, ganho boa autonomia para rodar”, revela.

O triciclo é equipado, ainda, com dois tipos de buzina - a ar e elétrica - e o engate traseiro. E, para completar o visual, Odinei já está providenciando um pára-lama dianteiro. Mas ele é exigente. “O acessório que estava nele antes não ornava com o design da motocicleta”, considera ele.

O começo

Mas a história de Odinei com o veículo de três rodas reserva uma particularidade curiosa: apesar de ser um apaixonado por motocicletas, ele detestava triciclos. A razão estava no motor Fusca normalmente escolhido para equipá-los. “Nunca gostei desse propulsor, pois não efetua corretamente a queima do combustível e é muito ultrapassado”, explica.

Entretanto, tudo mudou na preferência de Odinei quando ele, em um encontro de motociclistas em Agudos, deparou-se com um triciclo do motoclube bauruense Knibais do Asfalto. Ao ver que este possuía um motor Santana, foi paixão à primeira vista. “Resolvi fazer um para mim em estilo americano, pois queria uma moto clássica, sem frescuras e acessórios. Me preocupei mais com o design e a estética dele”, ressalta.

Assim, e adotando como base do chassi uma moto Hyosung Cruise 125 comprada há um certo tempo, Odinei iniciou a construção do triciclo. Para isso, aproveitou os conhecimentos adquiridos durante o curso de ajustador mecânico, ainda não concluído, em que freqüentou na unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Mas engana-se quem pensa que o trabalho de Odinei foi fácil. Para transformar seu projeto em realidade, o bauruense pesquisou durante um ano e meio as firulas mecânicas de vários triciclos que já conhecia. “Precisava me aprofundar, principalmente, em conceitos aerodinâmicos e de segurança”, afirma.

Por isso, visitou também uma das maiores fábricas de triciclos do Brasil, a By Cristo, para aprender de perto tais detalhes. “Conversei com vários técnicos da empresa, que foram extremamente úteis para o esclarecimento de algumas questões fundamentais para a motocicleta sair do papel”, diz ele.

Com todas as informações necessárias em mente, Odinei começou a fabricar as peças e montá-las durante o tempo que lhe sobrava. Desta forma, após quase uma década de dedicação, ele concluiu, há cerca de um mês, seu tão sonhado triciclo.

Desde então, calcula ter saído da garagem para rodar pouco mais de 300 quilômetros. “Eu o fiz dentro de casa, de onde só saiu pintado e pronto para andar. Quase nem o testei e, ainda, estou fazendo alguns ajustes finais”, destaca Odinei.

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Planos e segurança

Após ter realizado seu desejo, Odinei já faz vários planos para o triciclo. Ele não vê a hora de “cair” na estrada com a motocicleta e conhecer vários lugares diferentes. O principal deles, revela Odinei, é viajar pelo Sul do Brasil e visitar a cidade gaúcha de Gramado, no Rio Grande de Sul.

Outra idéia é comparecer à sexta edição do Motofest, encontro de motos previsto para ser realizado, entre os próximos dias 10 e 13 de abril, em Ourinhos (SP).

Nesse caso, acrescenta Odinei, sua pretensão é chegar ao evento com o maior número de integrantes possíveis de Bauru. “Gostaria de marcar presença com uma turma daqui. Por isso, se alguém se interessar poderia entrar em contato comigo para combinar a ida até Ourinhos”, planeja. O telefone de Odinei é (14) 239 5191.

Ele também faz questão de enfatizar que seu triciclo está regularmente homologado junto aos órgãos responsáveis e, portanto, possui totais condições de rodar com segurança.

E é justamente nesse assunto que Odinei faz um alerta. “Tenho visto por aí muitos triciclos mal projetados e sem autorização para circular. Por isso quem quiser ter um, principalmente aquelas pessoas que não dominam conceitos mecânicos, devem procurar uma oficina responsável ou comprar um já pronto e equipar à sua maneira”, adverte.

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