O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impactos Ambientais (EIA/Rima) referentes à construção da usina Piraju 2 estão atualmente nas mãos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente para análise. Até o momento, não se sabe quando a decisão sairá, uma vez que depende de entendimentos entre a Prefeitura de Piraju e a empresa empreendedora.
As partes que polarizam o assunto têm, obviamente, pontos de vistas completamente opostos quanto aos impactos que a pretensa hidrelétrica causaria ao ecossistema.
O presidente da organização ambiental Teyquê-Pê, João Kleber Oliveira Dealis, considera como desastrosos os eventuais e futuros resultados. Ele pontua que o Parque Natural Municipal do Dourado - por sinal criado para entravar o projeto da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) - e o Salto do Piraju, área de forte correnteza bastante visitada do rio e ideal para a prática de rafting, ficariam totalmente submersos se a barragem fosse construída.
“Todo o ecossistema sofreria mudanças por conta disso, com extinção da mata ciliar, fauna e flora nativas. Peixes que precisam da força das corredeiras para se reproduzir e sobreviver estão estariam ameaçados, sem falar dos prejuízos lançados contra o desenvolvimento econômicoâ€, cita.
A CBA, por seu lado, nega a perda irreversível do parque ecológico e do Salto do Piraju. “Na verdade, apenas oito dos 50 hectares do parque ficariam sob as águas, sendo desses oito apenas cinco de matas ciliares. Na área da garganta (Salto do Piraju), o nível do rio subiria cerca de meio metro, ou seja, as corredeiras não desapareceriam. Quanto aos peixes e os animais nativos, a empresa tem departamentos que cuidam exclusivamente da preservaçãoâ€, contra-argumenta José Geraldo Floret, gerente do Departamento de Meio Ambiente da companhia.
A experiência da inundação decorrente da usina Piraju, em funcionamento desde setembro de 2002, porém, revela que a interferência na natureza não é tão simples quanto o jogo de pingue-pongue dos interesses.
Segundo constatações da Teyquê-Pê, a área que foi represada vem mostrando que a erradicação da mata ciliar não seguiu as determinações à risca. Parte que deveria ter sido arrancada da terra e retirada do rio parece ter sido enterrada antes da inundação, o que acabou comprometendo o nível de oxigenação no momento em que começou a se decompor. “Temos notado a presença de espuma sobre a águaâ€, sublinha Dealis.
As suspeitas de irregularidades foram levadas pela Câmara de Piraju ao conhecimento da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que ainda não se pronunciou a respeito.
Leishmaniose
O corte da mata ciliar também pode ser a causa do índice anormal de casos de leischmaniose no município. Em 2002, foram registrados 11 casos, ao passo que nove já foram notificados nos três primeiros meses deste ano.
“Por possuir uma área remanescente de Mata Atlântica, Piraju sempre teve casos da doença, mas o índice está anormal. A inundação pode ter exigido do vetor (um pequeno mosquito) a necessidade de se adaptar a outras partes da mata, mais próximas da população. Noventa e nove por cento dos doentes adentraram a mataâ€, considera Maria Salete Carli Morena, chefe da Vigilância Epidemiológica da Divisão Regional de Saúde de Botucatu (DIR-11).