O Dia Mundial da Tuberculose (24 de março) foi comemorado esta semana com números vitoriosos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as estratégias internacionais de controle implantadas em 1995 conseguiram diagnosticar e tratar 10 milhões de pessoas até o ano passado.
Ainda assim, existe um grupo de 22 países onde a doença persiste como uma constante ameaça. Juntos, estes países respondem por aproximadamente 80% dos casos registrados em todo o mundo. A má notícia é que o Brasil ocupa o 15.º lugar neste ranking, com um dos maiores índices em número absoluto de casos da doença.
Para reverter este quadro, o País assumiu como meta o compromisso de elevar para 85% o índice de cura da tuberculose até o ano 2005. Atualmente, este percentual varia muito de cidade para cidade, de Estado para Estado. Há regiões que até superam os 85%, porém outras não conseguem curar nem metade de seus pacientes.
Durante as comemorações desta semana, a Secretaria de Estado de Saúde divulgou o ranking das melhores e das piores cidades paulistas em índice de cura da tuberculose. Bauru não aparece entre as melhores, mas também não está em situação tão desfavorável.
De acordo com a Direção Regional de Saúde (DIR-10), em média, os 38 municípios coordenados pela regional obtêm 73% de cura.
“Claro que ainda estamos abaixo da meta dos 85%, mas esta é uma cobertura boa e temos observado progressos importantes nos últimos anos, principalmente depois da implantação do tratamento supervisionadoâ€, salienta a enfermeira da Vigilância Epidemiológica da DIR-10, Shenia Liane Pimenta.
Trata-se de uma alternativa de tratamento em que o paciente tem que tomar sua medicação na presença de um funcionário da unidade de saúde. É uma forma de garantir que o paciente vai ingerir os remédios nos dias e horários corretos e que vai seguir as recomendações médicas até ser atestada sua cura.
“Para se ter uma idéia, depois que Bauru implantou a supervisão, o índice de cura subiu de 50% para 70% e isso tem se repetido em vários outros municípios da regiãoâ€, garante.
Apesar destas vitórias, 8 milhões de pessoas adquirem tuberculose anualmente no mundo e 2 milhões de doentes morrem por causa dela a cada ano. Só no Brasil, foram mais de 71 mil casos novos e mais de 5 mil mortes em 2001.
O tratamento preconizado para a tuberculose oferece 95% de chance de cura quando seguido corretamente por um período mínimo de seis meses. Porém, se a pessoa não busca o tratamento precocemente ou se interrompe a medicação antes do tempo, sem o conhecimento do médico, o bacilo causador da doença torna-se resistente às drogas e a chance de cura pode até desaparecer.