Economia & Negócios

Padaria precisa diversificar para disputar mercado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A confeitaria brasileira tem que pesquisar e investir na diversificação de produtos para disputar de igual para igual com o setor supercadista. O consumidor quer produtos de boa qualidade, de gosto agradável e com uma aparência atrativa. Esta é a opinião do diretor do Centro de Formação Profissional do Setor Alimentar de Lisboa, Mário Rodrigues Correia. Ele visitou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru na última sexta-feira.

Na opinião dele, as padarias não podem fabricar somente pães. “Elas devem diversificar os produtos. Criar produtos que atendam aos anseios do consumidor. Temos que multiplicar a oferta para o negócio ser rentável e poder empregar mais gente”, diz.

Ele aposta na capacitação do pessoal para geração de renda. “A panificação é o segundo setor que mais emprega no Brasil. Em Portugal também emprega muita gente. Temos que preparar o pessoal. Todos aqueles que passam pela escola não ficam sem emprego, a não ser que não queiram trabalhar”, brinca.

Correia faz uma ressalva quanto ao consumidor. “O consumo das confeitarias está atrelado ao prazer e não à fome, por isso é importante o intercâmbio entre os países. Precisamos conhecer o que está sendo feito nos mais diversos pontos do mundo para poder aperfeiçoar e criar outros produtos. Nenhum setor sobrevive sozinho. Minha visita tem a intenção de conhecer o que está sendo feito por aqui e contribuir com aquilo que for possível para melhorar a panificação brasileira”, explica.

Para ele, é através da capacitação dos confeiteiros que o setor conquistará avanços. “A tendência é transformar as padarias em butiques de pães. Os novos produtos devem ser confeccionados com produtos naturais com qualidade e com apresentação e degustação que agradem o paladar do consumidor”, afirma.

Não engorda

Apesar do dito popular, o português garante que o pão não engorda. “O que engorda é o recheio. É claro que se a pessoa pega um pão e recheia com muita manteiga, molho ou outro ingrediente, ela passa a engordar. O pão sozinho não engorda”, afirma.

Ele frisa que o pão é ótimo para o funcionamento do intestino. “O pão de centeio é muito importante para o funcionamento do intestino. Mas as grandes indústrias passaram a usar os chamados “melhorantes” e conseguiram fazer um pão branco que poucas horas depois de assado fica com aparência de isopor”, critica.

O visitante aposta na criatividade dos padeiros para vencer a subnutrição. “A mistura da farinha de trigo com farinha de mandioca é uma grande arma contra a subnutrição. É preciso desenvolver receitas que tornem o produto de boa aparência e que o gosto agrade o paladar do consumidor”, frisa.

Ele afirma que o pão branco é considerado muito bom em relação ao pão escuro (de farinha integral). â€œÉ puro engano. O pão escuro, antigamente, era o alimento dos pobres e isso acabou influenciando as pessoas a acreditarem que o pão branco é melhor, mas se ele não for bem feito, fica parecendo um algodão”, compara.

Correia considerou o Senai um modelo de escola de panificação. “Esta escola é maravilhosa. No aspecto tecnológico ela está muito à frente. O material didático é muito bom. Eu penso que podemos seguir este caminho”, diz.

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