A rota dos sacoleiros, rodovias que ligam Foz do Iguaçu, no Paraná, a São Paulo e outras capitais do País, estaria sendo usada para o tráfico de entorpecente. O principal meio do transporte da droga seria os ônibus de linha, que partem de Foz do Iguaçu, na divisa com o Paraguai.
O comandante do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária, tenente-coronel Daniel Barbosa Rodrigueiro, conta que as polícias rodoviárias estadual e federal passaram a fazer fiscalizações em parceria para tentar quebrar a nova rota do tráfico. Ele conta que a maior quantidade de drogas tem sido apreendida em ônibus de linha. “Os traficantes mudaram a maneira de transportar a droga. Usam ônibus de linha, caminhões e até aviõesâ€, diz.
No caso do transporte de drogas via ônibus de linha, os jovens são usados como aviões (pessoa contratada para transportar a droga), segundo Rodrigueiro. “O traficante paga um “aviãozinho†para viajar com a droga e entregar em determinado localâ€, diz.
Já quando a quantidade é maior, a droga vem camuflada em caminhões, como recheio de carros ou por aviões. “Temos intensificado as operações e alternado horários e dias para conseguir fazer apreensõesâ€, afirma.
A polícia suspeita que as rodovias mais usadas para o tráfico são as que cortam os municípios de Presidente Prudente, Assis, Florínea, Castilho e Ourinhos. “Dessas cidades, a droga é levada para as capitais do Brasil: São Paulo, Goiás, Bahia, Rio de Janeiroâ€, afirma.
Rodrigueiro afirma que 99% da droga que passa pela rota do contrabando são maconha. “Em segundo lugar vem a cocaína, seguida do crack e do haxixe, uma droga mais caraâ€, conta. Para ele, as apreensões mostram para a sociedade o avanço das drogas.
Em menos de três anos, a Delegacia da Polícia Federal de Marília apreendeu cerca de quatro toneladas de drogas em uma das principais rotas do tráfico de entorpecente. No mesmo trajeto, a Polícia Rodoviária Estadual apreendeu, só neste ano, 2,242 quilos de maconha, 13,8 de cocaína, 3,2 quilos de crack e 1,8 de haxixe.
Mas Rodrigueiro acha que ainda há muito a ser feito no combate ao tráfico de entorpecente na região. “Apreendemos uma grande quantidade, mas ainda é uma pequena parte do todoâ€, suspeita. Rodrigueiro afirma que desde o ano passado o Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) vem executando uma nova estratégia no combate ao tráfico.
O delegado titular da Polícia Federal de Marília, Gilberto da Silva Pacheco, diz que desde a instalação da delegacia, há quase três anos, muitas quadrilhas já foram desbaratadas. “A interação das polícias tem alcançado êxito no combate ao tráfico de entorpecenteâ€, afirma.
As apreensões ocorridas na região, consideradas de grande porte, variam de 500 a 800 quilos de droga. “Mas já apreendemos 1.319 quilos de maconha em Marília. Em Assis já fizemos várias apreensões e desbaratamos uma quadrilhaâ€, lembra.
Pacheco confirma que aeronaves, caminhões com fundo falsos e ônibus que partem de Foz do Iguaçu em direção às capitais do Brasil, são as mais utilizadas pelos traficantes. De acordo com o delegado, os ônibus de excursões raramente transportam droga. “Os ocupantes do coletivo não aceitam este tipo de coisa. Eles fazem contrabando, mas tráfico não admitemâ€, frisa. Segundo Pacheco, a única droga apreendida em ônibus de sacoleiros é lança-perfume.
No primeiro trimestre deste ano foram apreendidos 52 quilos de maconha na rodovia Transbrasiliana entre os 211 quilômetros de estradas que integram a área de atuação da Polícia Rodoviária Federal de Marília. Cerca de 32 quilos de maconha foram apreendidos na madrugada do último dia 27.
A Delegacia da Polícia Federal de Marília apreendeu mais de quatro toneladas de drogas em menos de três anos. É considerada uma das delegacias com maior volume de apreensões do Estado de São Paulo.