Economia & Negócios

Novo mínimo é visto como 'o possível'

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de não ser considerado ideal, o novo valor do salário mínimo - R$ 240,00 - anunciado anteontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é encarado como o “possível” por representantes de diferentes setores de Bauru. O aumento do mínimo foi de 20%, percentual que significa um ganho real (descontada a inflação) de 1,85%, segundo cálculos do Ministério da Fazenda.

O coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, Paulo Vieira Lima, declarou que o comportamento da entidade diante do novo mínimo é um “voto de confiança” ao novo governo. Para Lima, a situação econômica recessiva não permitiria um reajuste maior. “O PT tem que ter a competência de saber o que pode ou não fazer”, disse.

De acordo com Lima, a CUT e as demais centrais sindicais esperam “muito mais” do governo Lula até o próximo reajuste previsto - em 1 de abril de 2004. “Hoje, se eu tivesse que brigar por um salário digno, seria uns R$ 500,00, também para não fugir tanto da realidade”, afirmou.

A presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, ressaltou que o novo salário mínimo foi concebido a partir de consultas às bases do partido e trouxe “alguns dígitos acima do acumulado da inflação”. “O governo está caminhando para frente”, disse.

Estela afirmou que o reajuste de 20% no mínimo significará um rombo de R$ 4 bilhões a mais para o sistema previdenciário brasileiro. “É um número que nós teremos de administrar”, ponderou. E completou: “O governo Lula está trabalhando com o orçamento que herdou.”

Para ela, o aumento do mínimo pouco acima da inflação oficial mostra aos trabalhadores que o governo Lula está “preparando terreno” para as reformas prometidas até o final do ano, como a Previdenciária e a tributária.

A resistência de alguns setores do PT ao valor do novo mínimo, considerado baixo por eles, foi duramente criticada por Estela. Ontem, a deputada federal Luciana Genro (PT-RS) apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados propondo que o mínimo deveria subir para R$ 280,00.

Na opinião da executiva municipal do PT, o “ensaio de rebeldia” da deputada gaúcha seria um ato de oportunismo. “A mim parece que (Luciana Genro) quer chamar a atenção das câmeras”, disse Estela.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), Walace Garroux Sampaio, acredita que o novo mínimo deverá ter pouco impacto sobre o comércio, pois o percentual de reajuste foi apenas uma compensação de perdas com a inflação do período.

Sampaio afirma que o aumento de pelo menos 20% já era esperado pela categoria, que não prevê “novo folêgo”. A ressalva é feita aos aposentados que ganham o piso, parcela da população diretamente influenciada pelo reajuste. “Esses podem passar a comprar um pouco mais”, observou.

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