Guerra no Iraque 2003

EUA matam 33 civis, diz Iraque

Agência Folha
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Bagdá - Pelo menos 33 civis morreram e 310 ficaram feridos ontem num bombardeio norte-americano a um bairro residencial da cidade de Hilla (80 quilômetros ao sul de Bagdá), segundo o diretor do hospital local. O porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Bagdá qualificou o ataque de “horror”.

O episódio é mais um revés na estratégia anglo-americana de conquistar a população do Iraque e, com isso, alimentar a oposição a Saddam Hussein.

As mortes de civis, ao contrário, têm elevado a revolta contra as forças invasoras - aumentando também o desgaste político dos planejadores da guerra em Washington e comprometendo a administração do Iraque numa era pós-Saddam.

O Pentágono nega, mas o medo de atentados terroristas tem feito com que a população civil seja encarada como alvo potencial. O Comando Central americano disse que estava investigando o incidente de ontem.

O único sobrevivente de uma mesma família, Razek al-Khazem al-Khafaj, afirmou que eles tentavam fugir dos combates em Nassiriah (350 quilômetros ao Sul de Bagdá) quando o carro foi atingido. Ele disse ter perdido a mulher, seis filhos, pai, mãe, três irmãos e suas cunhadas. “Sobre qual desses devo chorar?”, perguntou, apontando os caixões.

Barreiras

Desde anteontem, soldados americanos mataram pelo menos oito civis desarmados em barreiras rodoviárias no centro-sul do país.

O episódio mais recente aconteceu ontem de manhã nas imediações da cidade de Shatra. Marines disseram ter aberto fogo contra uma picape que acelerou ao passar por uma barreira, matando o motorista e ferindo o passageiro. “Pensei que fosse um atentado suicida”, disse um dos marines.

Anteontem, entre Karbala e Najaf, soldados americanos dispararam canhões contra uma picape. Segundo os EUA, o carro ignorou tiros de aviso para parar. Sete pessoas teriam morrido. Mas o repórter William Branigin, do “The Washington Post”, que estava no local, disse que pelo menos dez pessoas morreram.

Contradizendo a versão do Pentágono, o jornal afirma que os soldados demoraram a dar os tiros de aviso. Temendo um ataque suicida, o capitão que comandava a barreira teria gritado pelo rádio: “Pare-o, pare-o!” Ao ver o resultado da ação, ele teria gritado: “Vocês acabam de matar uma família inteira porque não dispararam o tiro de aviso a tempo!”

O episódio foi classificado como “uma tragédia horrível” pelo porta-voz da Comissão Européia, Reijo Kempinnen. “Não importa o quão avançada seja a tecnologia. Não existe guerra inteligente.”

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