Cada desempregado tem a sua história para contar. Quase todas tristes, nenhuma deixa de ter seu lado trágico e desumano, pois, na verdade, com pouquíssimas possibilidades de conseguirem algum tipo de encargo remunerado, já que suas carteiras de trabalho se encontram vazias, homens e mulheres postam-se tristemente nas ruas rogando a ajuda de alguém. Que não fosse só por isso, mas por outras tantas e penosas circunstâncias, o problema da carência de trabalho de reveste de muita preocupação e bastante constrangimento, porquanto o desocupado não pensa unicamente em si próprio. Ele sai, com seu pensamento, da órbita em que esteja se debatendo dia e noite, lastimando e chorando, para penetrar expressamente na do futuro dos filhos, numa verde esperança de amanhã surpreendê-los ocupados em um mercado de trabalho, robusto e cheio de oportunidades, em um país, que tem de ser o seu, de plena liberdade e correta justiça.
Um desempregado, naturalmente humilde, com o qual a reportagem contatou num dos últimos dias, não teve palavras diferentes para se expressar e desabafou: “Estou mergulhado numa situação afogante. Não sei qual será o futuro de meus dois filhos. Vivo em uma preocupação extrema, que só Deus e eu sabemos. E quem tem quatro ou cinco filhos e até mais?” - completou, emocionando também o articulista. Então, aduzimos, não é de alegrar e sorrir a escuridão do panorama, porque não se mostram os poderes públicos perceptivelmente voltados para a minimização da crise social e econômica nacional, a qual, afetando todo o parque manufatureiro e comerciário da grande nação, vai reduzindo diariamente os postos empregatícios destinados aos trabalhadores em geral. Quando um se abre, dezenas de outros cerram suas portas, desligam suas turbinas e encaixotam suas máquinas... Pergunta-se, conseqüentemente, se a imensa temática tem solução, vindo a desaparecer da paisagem em futuro próximo para não danificar o das famílias com a fome que o governo tenta massacrar. Dir-se-ia ser difícil a consecução do milagre porque ela exigiria uma divisão de medidas, parte da administração pública, parte do empresariado. E não parece que esta e aquela estejam predispostas a somarem suas forças para o alcance do poderoso objetivo. Vale dizer, então, que o doentio drama deverá continuar. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)