O preço do quilo do tomate está próximo a R$ 3,00 nos supermercados de Bauru, o que faz com que a fruta acabe custando mais caro do que o frango ou variedades menos nobres de carne bovina. Quem não pode abrir mão do produto - caso de pizzarias ou restaurantes - acaba tendo que diminuir a margem de lucro para não repassar a alta ao consumidor.
O empresário Luiz Cláudio Malandrino, proprietário de uma pizzaria, e afirma que seu gasto semanal com tomates aumentou seis vezes desde o início do ano. Segundo ele, o estabelecimento utiliza cerca de dez caixas de 22 quilos do produto por semana.
O preço da caixa, que variava entre R$ 7,00 (próprio para molho) e R$ 12,00 (para saladas), pulou para cerca de R$ 65,00. “Se repassar preço não vende. Então, eu não tenho muito o que fazer”, diz o empresário.
Malandrino declara que, além do tomate para molhos e saladas, os gastos com a pizzaria estão cada vez maiores, incluindo a cebola, o ovo e a batata - esta passou de R$ 30,00 o saco para mais de R$ 70,00. “Mas nada se compara ao tomate”, observa.
Os supermercados também estão tendo dificuldades em segurar o preço do tomate. O quilo da fruta, vendido geralmente entre R$ 0,70 e R$ 0,80, chegou a custar R$ 3,20 na semana passada em alguns locais. “Fomos à Ceasa de São Paulo, tentamos comprar de outros Estados, fizemos de tudo, mas realmente os preços são esses”, afirma o supermercadista Cláudio Moura.
De acordo com ele, o principal fator responsável pela alta extraordinária do tomate foram as chuvas constantes dos dois primeiros meses do ano. Por outro lado, o produtor que cultiva o produto em estufas - menos prejudicado pelas águas - elevou o preço em função da grande procura do mercado.
O supermercadista declara, no entanto, que as vendas não estão sendo prejudicadas por conta do preço alto. “O consumidor está buscando alternativas. Nosso setor de hortifrutis continua vendendo a mesma coisa em quilos, mas o pessoal está migrando do tomate para o pepino, o chuchu, a berinjela”, diz. Moura garante que dentro de 30 dias o produto volta a custar menos de R$ 1,00.
O responsável pelas compras de hortifruti de uma rede de supermercados local, Frederico Santa Rosa, acredita que o alto custo do tomate se deva ao período de entressafra do produto, aliado a plantações cada vez menores por falta de recursos. “Isso é normal acontecer nessa época, mas não com essa intensidade”, diz. E completa: “Na região não tem mais.”
De acordo com Santa Rosa, o quilo do tomate no sacolão chega a um mínimo de R$ 2,69. Para ele, porém, o preço deve se normalizar dentro de 40 dias, quando começam as colheitas da safra deste ano.
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Ovos
O preço da dúzia de ovos também está assustando os consumidores nas últimas semanas. O preço da cartela subiu de cerca de R$ 1,60 para mais de R$ 2,80. Para o responsável do setor de compras de uma rede de supermercados, Frederico Santa Rosa, o culpado pelo aumento é o dólar, que encareceu o valor do milho - matéria-prima da ração para aves.
“O pessoal começou a exportar milho e começou a faltar ração. É a questão do dólar alto, que abriu as exportações”, diz Santa Rosa. Segundo ele, a exemplo do óleo de soja, o valor dos ovos não deve diminuir acompanhando a cotação em queda da moeda norte-americana. “Dificilmente o preço volta ao patamar em que estava”, afirma.