• Promoções
Mais uma vez o varejo está sendo palco de acirradas disputas de preços. As “guerras” de promoções entre grandes redes supermercadistas parecem estar voltando à cena com força total e direito a iniciativas que chegam a ser surpreendentes. O principal favorecido é o consumidor, que através das estratégias de concorrência do varejo pode ter acesso a produtos de primeira linha a preços mais baixos.
• Disputa
Duas grandes redes iniciaram o mês de abril com uma bela disputa de preços - visando garantir a preferência dos consumidores - em lojas administradas por elas na cidade de São Paulo. Em uma delas o consumidor poderá encontrar, até hoje, produtos da cesta básica com descontos de até 55% em comparação aos preços da cesta pesquisada pelo Dieese (órgão econômico dos sindicatos). No hipermercado, o arroz tipo 2 custa cerca de 8% menos que o da cesta do Dieese.
• Descontos
Na outra rede que entrou na disputa o consumidor poderá encontrar 1,5 mil produtos com descontos de 25% a 50% durante todo o mês de abril. Mas para atrair os clientes, a empresa está indo além dos produtos básicos e alimentícios. Neste hipermercado estão sendo oferecidas condições especiais na compra de eletroeletrônicos, que poderão ser parcelados em dez vezes sem entrada e com juros de 1,99% ao mês.
• Parcelamentos
Também nesta última rede citada, as compras de roupas e demais produtos do setor têxtil poderão ser parceladas em até seis vezes. Em casos como esse o consumidor ganha ainda mais, já que os preços no setor de vestuário subiram consideravelmente no final do ano passado. Além disso, já estão começando a ser comercializadas roupas de inverno, que sempre são mais caras. As disputas do varejo, na forma de promoções generosas, possibilitam o acesso de um número muito maior de pessoas a esses produtos.
• De camarote
Para o consumidor, nada melhor do que assistir de camarote a cada ato encenado nesse palco de grandes disputas. No segundo semestre do ano passado, com mais evidência para os três últimos meses de 2002, a população - principalmente das classes média e baixa - foi muito prejudicada por diversas e consecutivas altas de preços que a indústria repassou ao varejo, atingindo diretamente as finanças da maioria das famílias brasileiras.
• Consumo
Essas altas, verificadas principalmente nos produtos alimentícios, forçaram as pessoas a mudar hábitos de consumo, abrir mão de itens de sua preferência e a substituir produtos importantes e essenciais numa lista de compras de supermercado. Os supérfluos já não fazem mais parte do dia-a-dia da maioria das famílias de classe média, que com esse cenário se viram na difícil tarefa de ter que selecionar os produtos que poderiam ser comprados a cada ida ao supermercado.
• Boicote
A situação imposta pela indústria foi tão grave que o próprio varejo passou a incentivar o público consumidor a boicotar os produtos com alta excessiva de preços e substituí-los por similares ou por outros de marcas secundárias - que normalmente são mais baratas que as líderes de mercado. De acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de janeiro a setembro de 2002 o impacto do aumento de preços para a indústria foi em torno de 21%, em média.
• Varejo
Desse total, o comércio repassou aproximadamente 9% e “segurou” a situação a rédeas curtas junto aos fornecedores enquanto foi possível. Mas a partir da segunda quinzena de outubro do ano passado, os repasses continuados de preços ao consumidor tornaram-se inevitáveis. Por tudo isso, as disputas de preços no varejo devem continuar sendo indiretamente estimuladas pelo consumidor, através do exercício de seu poder soberano.