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Irmãos são atacados por cão pit bull

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O ataque de um cão da raça pit bull deixou um casal de irmãos gravemente ferido na Vila Maria, em Bauru. O mais novo, de 1 ano, levou 40 pontos na cabeça e passa bem. A mais velha, de 2 anos, teve o couro cabeludo arrancado, foi submetida a uma cirurgia reparadora, passou pela Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base (HB) e permanece internada sem previsão de alta.

O acidente aconteceu no domingo à tarde, na quadra 1 da rua Tiburtino Grilo, quando crianças, parentes e o cachorro brincavam no quintal da casa da tia das vítimas, conforme relata boletim de ocorrência registrado no 1º Distrito Policial (DP).

Quando o pit bull avançou, Pedro Henrique da Silva estava no colo de Talita Barbosa da Silva, sua prima, que não conseguiu evitar os ferimentos, mas impediu que eles fossem mais graves. Assim que se desvencilhou da primeira vítima, o cachorro voltou-se contra Kuany Vitória da Silva, que estava no chão.

“Eu tentei separá-los, mas a força do animal era enorme. Ele me jogou três vezes para longe”, explica Solange Cornélio da Silva, tia das crianças.

De acordo com ela, o cão parecia manso e, antes do ataque, brincou com os dois irmãos.

“Eu fiquei em estado de choque. O couro cabeludo da Kuany ficou no chão. Depois, vieram buscar para fazer o implante. O dono do pit bull socorreu as crianças e tem dado toda a assistência”, garante.

Evandro Aparecido Lemes é vizinho e amigo próximo da família. Além desse pit bull de 10 meses, que foi morto por populares, ele tem outro cão da mesma raça e um rottweiler. “Não sei o que deu nele para atacar. Vou continuar criando essas raças porque gosto de cachorros. Estou ajudando a família de todas as maneiras”, destaca.

Apreensão

O apoio apenas ameniza a apreensão do pai das crianças, Antonio Carlos da Silva. Ele teme que a filha fique careca. Já Pedro Henrique foi atendido no Pronto-Socorro (PS) e liberado no mesmo dia.

“Hoje (ontem), me informaram que a recuperação dela foi surpreendente. Segundo os médicos, existia 80% de possibilidade do implante não dar certo, porém correu tudo bem. Minha filha é muito vaidosa e tenho medo que ela fique sem cabelo. O que mais quero é que ela tenha uma vida normal”, conta.

Segundo a gerente administrativa do HB, Carla Ceppo, que colheu informações junto à enfermeira supervisora do hospital, os médicos ainda estão avaliando a evolução da primeira cirurgia para analisar a necessidade de uma segunda. Ceppo não descarta a possibilidade da criança ficar sem cabelo na região afetada. Cerca de dois terços do couro cabeludo foram arrancados.

Kuany está sendo medicada com antibióticos e não está livre de infecções, acrescenta a gerente. Além dela, a saúde do cão também está sob análise. Os médicos estão investigando se o animal portava alguma doença, como a raiva, por exemplo.

“Quando chegamos aqui, o pit bull já estava morto e enterrado. Tivemos que desenterrá-lo e cortar a cabeça dele para levar até o hospital”, relata Antonio Carlos.

A Polícia Civil também aguarda laudo pericial para saber o tipo de lesão que as vítimas sofreram. De acordo com o delegado Ronaldo Divino, se as investigações apontarem para negligência de algum envolvido, ele pode ser responsabilizado por lesão corporal culposa. O crime prevê pena de três meses a um ano de prisão, que pode ser cumprida através de serviços prestados à sociedade.

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A raça

Nos últimos cinco meses, o JC registrou pelo menos cinco ataques de cães pit bull. Mesmo assim, de acordo com o veterinário Paulo Zanardi, não é possível afirmar que a raça é perigosa.

“Existem indivíduos violentos em qualquer raça. O comportamento dele vai depender da linhagem, do tratamento que ele recebe e da situação em que se encontra”, explica.

No caso anterior ao de Pedro e Kuany, uma mulher foi atacada dentro de um bar da Vila Falcão, quando foi comprar refrigerante. O cão estava solto dentro do estabelecimento, avançou e mordeu a região da axila, pegando parte do seio da vítima. A ocorrência foi registrada no final de janeiro.

Em dezembro do ano passado, um outro cachorro da mesma raça atacou uma menina de 5 anos na Vila Zillo. Ela também foi submetida a uma cirurgia plástica no HB para reimplantar a parte arrancada.

Em novembro, um cocker salvou uma criança de 3 anos de ser mordida por um pit bull, na quadra 33 da avenida Rodrigues Alves. No mesmo mês, um cão investiu contra um cavalo que puxava uma carroça no Jardim Godoy, o que causou a queda do carroceiro.

Em outubro, um pit bull atacou um menino de 13 anos na Vila Popular Ipiranga, após ter fugido do quintal de uma casa.

Em Bauru, há uma lei municipal que determina que cães de raças ferozes, como o pitt bull, só sejam conduzidos em via pública se estiverem com focinheira.

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