Cultura

Peça resgata clássico da literatura

Da Redação
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A Companhia Fábrica dos Sonhos apresenta hoje, às 10h e às 20h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, a peça “Memórias de um Sargento de Milícias”, inspirada no livro homônimo escrito no século 19 por Manuel Antônio de Almeida.

A adaptação do texto e a direção do espetáculo - recomendado para maiores de 12 anos - são de Rony Guilherme. Os ingressos podem ser comprados na bilheteria do teatro.

Assim como no livro, a ação da peça se passa nas ruas e casebres do Rio de Janeiro da época de Dom João VI, com seu povo alegre e seus tipos pitorescos - as comadres, os moleques, os soldados e as mulatas.

É nesse mundo que vive o personagem principal, Leonardo, filho enjeitado dos imigrantes portugueses Leonardo Pataca e Maria da Hortaliça criado pelos padrinhos: uma parteira e um barbeiro. Malandro e preguiçoso, Leonardo se mete em diversas confusões e romances até conseguir se tornar sargento de milícias e, de certa forma, se redimir de suas travessuras.

A proposta do espetáculo da Fábrica dos Sonhos - segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), que apóia o evento - é buscar o humor, em alguns momentos até com a participação do público, mas sem alterar a estrutura dramática ou cronológica da obra, mantendo o dinamismo proposto por Manuel Antônio de Almeida.

No palco, a platéia verá uma série de cabides onde estarão as peças de figurinos e adereços, para que os atores possam compor cada detalhe de seu visual, como perucas, colares, roupas e óculos. O elenco da peça é formado Drica Sanches, Guido Caratori, Glauco Garcia, Luciana Gadoti, Ney Catarino e Ricardo Matioli.

• Serviço

Espetáculo teatral “Memórias de um Sargento de Milícias”. Hoje, às 10h e às 20h, no Teatro Municipal. Ingressos podem ser comprados na bilheteria do teatro. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1312.

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Livro criou estilo inovador

A história de “Memórias de Um Sargento de Milícias” foi escrita entre 1852 e 1853 e publicada em capítulos semanais no suplemento A Pacotilha, do jornal carioca Correio Mercantil. Depois de se tornar popular entre os leitores do periódico, os capítulos foram reunidos e publicados em forma de livro.

A feliz ironia em torno do fato é que Almeida, que não tinha nenhuma pretensão literária, acabou produzindo um livro que quebrou com os conceitos do Romantismo, o estilo literário da época, sendo considerado mais tarde o grande precursor do Realismo na literatura brasileira,

O livro foi inovador ao centrar a ação no subúrbio da cidade, traçando nesse microcosmo uma idéia geral do Brasil e dos brasileiros de forma descontraída. Almeida também criou uma narração imparcial, que não recriminava as atitudes dos personagens. Graças a essa estrutura nasceu o malandro Leonardo, o primeiro anti-herói da literatura nacional. Para muitos. o “pai” de Macunaíma. (Gustavo Cândido)

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