Tribuna do Leitor

Eu acredito


| Tempo de leitura: 4 min

Janeiro de 1967. Estávamos Célio Gonçalves e eu na esquina da av. Nações Unidas com a av. Rodrigues Alves, tendo à nossa frente, a “feira-livre” que havia sido recentemente transferida da rua Gal. Marcondes Salgado, onde hoje se encontra instalada uma guarnição do Corpo de Bombeiros. 36 anos já se foram! Naquele instante ouvi de Célio a frase que ficou gravada na memória: “Esta cidade está condenada a crescer”. Em seguida, acompanhei-o até o Hotel Cidade de Bauru, onde se encontrava hospedado o deputado federal Herbert Levy, recém-nomeado secretário da Agricultura do governo Abreu Sodré, para uma entrevista ao Célio radialista, e ao mesmo tempo, uma visita ao “nosso chefe”, já que trabalhávamos numa empresa subordinada àquela secretaria. A auto-estima do bauruense naquela e vindouras épocas até há poucos anos, mais precisamente até 1996, era perceptível. De Alcides Franciscato até Tidei de Lima víamos administradores experientes sempre inovando na administração pública.

Em 1969, Franciscato, sucedendo Nuno de Assis, convidou Jurandyr Bueno Filho para montar o ETTP da prefeitura. As idéias de planejamento de Bauru começaram a ser trabalhadas pelo nosso “Prestes Maia” bauruense a saber: avenida Nações Unidas, anfiteatro Vitória Régia, canalização do rio Bauru, início do primeiro trecho da Nuno de Assis, Terminal Rodoviário, av. Octávio Pinheiro Brisola, av. Pedro de Toledo, viadutos João Simonetti e Antonio Eufrásio de Toledo, além da ampliação do viaduto Mauá, trevos da Nações Unidas e Nuno de Assis com a rodovia Marechal Rondon, o primeiro Pronto Socorro Municipal, as praças República do Líbano, Itália e Espanha, os primeiros estádios distritais. Até 1996, as obras elaboradas pelo Plano Diretor de Bauru tiveram a celeridade necessária dos chefes executivos que freqüentaram a Cerejeiras, além de outras obras como: Teatro Municipal entregue em 1997 praticamente concluído (só faltava afixar as poltronas - já compradas - nos devidos lugares); av. do Oeste, hoje Jânio Quadros com 80% construída; av. Nuno de Assis com sua duplicação anteriormente planejada no Plano Diretor; viaduto sobre os trilhos da antiga NOB, faltando apenas e tão somente uma alça para conclusão e cuja interrupção hoje é motivo da instalação de uma CEI pela edilidade local, cuja conclusão dará ensejo a desmascarar justificativas comumente obradas como apanágio da inoperância. A CEI do viaduto não é a do viaduto original. Ao viaduto original, iniciado na administração Tidei de Lima está faltando apenas para a sua conclusão a alça final. A CEI instalada atualmente na edilidade é para investigar o dinheiro público gasto na execução de outra alça em detrimento da primeira. Com o chefe do Executivo atual resistindo até os minutos finais pela não instalação da CEI os atuais edis deram mostra de independência, demonstrando bom senso necessário ao esclarecimento da verdade.

Naquela época, de 1967 a 1996, e mais precisamente de 1969 em diante, capitaneado pelo Jurandyr, até “vaquinha” para angariar recursos para duplicação do viaduto da Pedro de Toledo ocorreu. O bauruense participava. O bauruense exercia com orgulho sua cidadania. Bauru era uma paixão como exalta Jurandyr, em reportagem muito bem lavrada pela jornalista Luly Zonta em 15/12/02, na pág. 12 do “JC”. O que justifica tanta esperança? Simplesmente existem bauruenses enfurnados na sua decepção com os dias de hoje, mas certamente aguardando a oportunidade de - como formadores de opinião que são - desenfurnarem para metamorfosear desilusões em esperança.

Acredito no fascínio que Bauru desperta em todos os seus pontos cardeais - além fronteira geográfica - e que em 2005, livre da administração medíocre no contexto político-social, possamos recuperar nossa auto-estima como afirma o arquiteto bauruense por excelência e de renome internacional, Jurandyr Bueno Filho: “nossa auto-estima será recuperada quando o bauruense encontrar uma liderança apaixonada pelas nossas coisas, um regente afinadíssimo que motive a população bauruense”. Hoje a orquestra está inerte, sem ânimo até para desfilar pelas ruas e avenidas esburacadas.

Por derradeiro, meu caro Célio, recebi seu recado e afirmo-lhe: fique tranqüilo. Para salvador da pátria os que por aí pululam, bons ou ruins, mais ruins do que bons, creio suficientes. Ademais nunca é tarde para lembrar da história do colibri vendo o incêndio na floresta e 60 anos de idade é um prêmio ao ócio. Ao Célio e ao Jurandyr, obrigado pela oportunidade de permitirem o meu coração falar. (Nicanor Amaro Silva Neto - RG: 7.725.024)

Comentários

Comentários