Guerra no Iraque 2003

Guerra tira US$ 100 bi da produção

Agência Folha
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Washington - A guerra dos EUA contra o Iraque poderá custar até US$ 100 bilhões à economia mundial apenas no primeiro semestre deste ano, alerta o Banco Mundial (Bird). Pior. De acordo com a instituição, as autoridades das mais importantes economias do planeta estão ficando sem munição para reaquecer a atividade.

“Uma preocupante característica do atual ambiente econômico é que as políticas macroeconômicas talvez estejam perto do limite”, afirma o Bird em um relatório sobre as perspectivas globais, divulgado ontem.

A advertência do Banco Mundial ocorreu um dia após o Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês (IIF), organização privada que representa bancos e companhias financeiras, ter cobrado uma ação mais coordenada das nações mais ricas do planeta, incluindo aí o relaxamento da política monetária.

De acordo com o Bird, o conflito no Oriente Médio desestabilizou ainda mais uma economia que já enfrentava dias difíceis. Pela estimativa da instituição, a produção mundial deverá perder algo entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões apenas na primeira metade do ano, como consequência da guerra no Iraque.

A economia mundial deverá crescer 2,3% neste ano, ante 1,7% no ano passado. “Temos reduzido constantemente as perspectivas de crescimento no último ano”, afirmou Philip Suttle, economista responsável pelo relatório, durante uma entrevista coletiva.

“Particularmente importante é que, a despeito da guerra, a confiança geral permanece caindo.” O Bird não incluiu em suas estimativas o impacto que a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), pode ter. Mas Suttle disse que certamente haverá efeitos negativos em decorrência da doença.

Segundo o Banco Mundial, o Federal Reserve (banco central norte-americano) não tem muita margem de manobra para reduzir juros. As taxas norte-americanas já estão nos níveis mais baixos das últimas quatro décadas. “O Banco Central Europeu tem um pouco mais de espaço para relaxar a política monetária e provavelmente seguirá a expectativa do mercado e reduzirá a taxa”, afirma o Bird.

Mas o relatório destaca a munição fiscal dos países europeus está no fim. O bloco econômico adota normas rígidas de controle dos gastos públicos e os déficits fiscais não podem superar o teto de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o Bird, os EUA crescerão 2,5% neste ano e 3,5% em 2004.

Mas uma guerra prolongada afetaria as estimativas. Em relação à União Européia, a expectativa é um tímido avanço de 1,4% neste ano e um crescimento mais acelerado, de 2,6%, em 2004.

O relatório sugere que o Japão adote uma política monetária que “verdadeiramente” estimule a economia, mas adverte que o endividamento do governo alcançou um “nível perigoso”. A economia do país deverá crescer 0,6% neste ano e 1,6% em 2004. A economia da América Latina crescerá apenas 1,7 % neste ano, prevê o Bird.

Para 2004, a previsão é de um avanço de 3,8%. A projeção considera que a Argentina voltará a crescer. A retração de 11% do país no ano passado foi o principal fator para a contração de 0,9% na economia da região - o pior desempenho mundial. Excluindo a Argentina, haveria expansão de 0,8%.

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