Os moradores do Núcleo Fortunato Rocha Lima, que participaram do projeto Desfavelamento, esperam obter a escritura da casa em que moram, porém estão preocupados com o preço da prestação. Das oito pessoas ouvidas pelo JC nos Bairros ontem, todas elegeram a média de R$ 20,00 como razoável. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) ainda não sabe estimar o valor a ser cobrado.
Desde 1996, os moradores aguardam a documentação das residências, que devido a problemas de desapropriação nunca saiu. Porém, na terça-feira, a Prefeitura Municipal de Bauru foi notificada sobre a resolução da pendência judicial relativa à última área de terras com problema.
A partir de agora, nada impede a emissão de registro para posterior regularização das cerca de 460 casas do núcleo.
“Podemos pagar até no máximo 10% do que ganhamos, ou seja, cerca R$ 20,00. Mesmo porque ficaram de entregar as casas prontas, mas quando cheguei aqui minha casa tinha só parede e uma cobertura precária”, conta Neusa de Moraes. Ela e as vizinhas Marilda da Silva e Rosineide Costa ocuparam os imóveis ainda inacabadas, que estavam sendo depredados.
Já Geraldo Gomes dos Santos, que vive numa das residências mais bonitas do bairro, investiu no imóvel porque tem certeza que permanecerá lá.
“Até R$ 20,00 não aperta. Mais do que isso fica difícil porque emprego não está fácil. Quando tem o salário, ele não é alto, ainda mais para a gente que sofre preconceito por morar no Fortunato. Isso aqui é um paraíso perto da favela que eu morava antes, que enchia de larvas porque foi construída sobre uma fossa”, recorda.
Menos confiante é Liege Barroso, que não aplicou dinheiro na reforma da casa porque teme perdê-la. “Se eu tivesse uma garantia de ficar aqui, faria uma ampliação. Já mexi em algumas coisas, mas fico insegura. Se apertar muito o orçamento, consigo pagar até R$ 25,00, mais do que isso não”, conta.
Assim como ela, Iraci da Silva chegou ao Fortunato assim que ele foi entregue, em 1996, e pretende pagar o mesmo que pagava antes. “Quando cobravam mensalidade, a minha era de R$ 12,00, mas posso gastar até R$ 20,00”, informa.
Dificuldade
Já Sandra Padilha, que mudou-se para lá há quatro meses, garante que seu orçamento ficará muito prejudicado quando a cobrança começar. “Já paguei R$ 1 mil pela casa e tenho muitas parcelas ainda. Até poderia arranjar R$ 20,00, mas vai fazer muita falta. Não vou me preocupar com isso agora”, diz.
A situação de José Francisco da Silva é mais confortável. Para ele, R$ 20,00 seria um valor razoável. Apertando daria para despender até R$ 50,00, informa. “Quero a escritura da casa mesmo que tenha que fazer sacrifícios. Gastei pelo menos R$ 3 mil para aplicar no imóvel e fazer um puxado lá no fundo”, comenta.
Apesar da pré-disposição dos moradores, a CDHU ainda não sabe de quanto será a mensalidade nem quando será cobrada. A companhia não dispõe de um estudo sobre o assunto. Quem informa é o gerente de ação regional da companhia, Élio Bush. Ele ainda não recebeu notificação oficial da Justiça.
“Vamos aguardar a decisão final do poder Judiciário. Depois, vamos reunir várias diretorias da CDHU e analisar um plano de atuação no núcleo”, informa.
Ele preferiu não comentar se a média de R$ 20,00 seria razoável. Contudo, lembrou que em Pederneiras algumas mensalidades não ultrapassam os R$ 5,00 e mesmo assim existe inadimplência.