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Sars e aids


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A epidemia de pneumonia detectada inicialmente na Ásia ameaça disseminar-se pelo mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já faz alertas gerais e no Brasil o Ministério da Saúde, através da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), está enviando alertas às Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde para adoção de medidas que permitam o diagnóstico precoce dessa pneumonia atípica.

Pelos sintomas complexos e graves que apresenta, está sendo chamado de Síndrome Respiratória Aguda Severa, cuja abreviatura seria, portanto, SRAS, sigla incorporada nos informes do Ministério da Saúde. Curiosamente, a imprensa brasileira já começou a chamá-la Sars, utilizando-se de sua abreviatura inglesa. Ou americana?

É estranha essa subjugação, onde nossa língua torna-se preterida, quase como se não existisse. Não se busque desculpas esfarrapadas quanto à pronúncia. No dia a dia da leitura dos jornais é um quadro freqüente e desagradável o encontro da expressão: sua sigla em inglês. O exemplo mais marcante talvez seja o da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, cuja abreviatura seria portanto Sida e não aids, como hoje empregado. Nesse caso, nem o Ministério conseguiu reverter o quadro, tanto que seu Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis incorpora a sigla alienígena. O desleixo levou à sedimentação e impregnação irremovíveis.

A imprensa deveria respeitar a língua nacional e modificar sua postura. Se como órgão de informação insiste no desprezo ao maior símbolo da nacionalidade como pode inserir em cadernos ou em programas de televisão personalidades a ensinar as artimanhas da nossa complexa gramática?

Perguntas poderão surgir como o que significa Sars? A resposta será e deverá ser Síndrome Respiratória Aguda Severa. Os mais atentos dirão porque a abreviatura a esse nome não corresponde? Questionamentos já foram feitos na mesma direção em relação à aids.

Já basta a subversão de haver uma nova moeda nacional praticada pelos postos de gasolina, cujos preços não são mais em centavos. Existe o valor R$ 2,199? Às vezes com o último nove bem pequenino. Chega de pensarmos como colônia! (O autor, Luiz Fernando Ribeiro, é médico)

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